terça-feira, 14 de outubro de 2008

Venham os ingleses


Entrevista reveladora a de Carlos Oliveira no JN de ontem. Em meia página [a outra meia é para a fotografia] explica o que pretende fazer no Leixões até 2010, data em que termina o actual mandato. Com uma ou outra excepção quase me consegue convencer a mim. Vamos por partes.

1) Participação do clube na SAD

É a parte em que borra a pintura. Continua a fazer profissão de fé na chegada de investidores estrangeiros. Como se o negócio futebol num clube com a dimensão do Leixões tivesse alguma atractividade para quem quer ganhar dinheiro. "Temos recebido contactos de clubes ingleses no sentido de conhecerem a nossa realidade", diz. Só se for do clube [e de que já não recordo o nome] que ameaçou comprar o maltês Nwoko. Para depois desistir.
À parte esta tentativa de atirar alguma poeira para o ar, começamos a perceber o que efectivamente vai acontecer, assim haja liquidez. Depois de uma primeira oferta de venda de acções aos associados, "que não vão ter capacidade para absorver" o aumento de capital, passará ao mercado em geral. O capital será primeiro aumentado para seis, depois oito e depois 10 milhões de euros. Eu já não acredito na existência do Tio Patinhas há vários anos.

2) O crescimento do Leixões

Contrastando com as ilusões sobre aumentos de capital, aqui revela ter os pés bem assentes na terra. É preciso aproveitar as "oportunidades de crescimento", mas é preciso ser "sensato" quanto a pensar em chegar aos lugares que dão acesso à Taça Uefa.
Discurso igualmente realista quanto à possibilidade de o Leixões se tornar na segunda potência futebolística do Norte. "Guimarães e Braga estão há muitos anos na Liga e têm apoios extraordinários das suas cidades, algo que Matosinhos ainda não consegue". Com esta assustou-me, mas afinal cidade aqui não é sinónimo de câmara, mas de cidadãos. "Esses clubes têm um número de sócios três vezes maior do que o Leixões".
Por outro lado, e se a dívida estrutural está controlada - "não ultrapassam um terço" dos activos -, há problemas de tesouraria, "pois ainda não temos os patrocinadores necessários".

3) Um estádio renovado

Finalmente se aponta um caminho sensato para o Estádio do Mar. Fica onde está. O que é preciso é reformular. Com a construção de novas bancadas nos topos Norte e Sul e a aproximação da bancada Nascente do relvado. Absolutamente de acordo.
Percebe-se também que Carlos Oliveira admite que um estádio com capacidade a rondar os 10 mil lugares é suficiente, mas avança a possibilidade de chegar aos 15 mil, para poder receber jogos internacionais. Não será cedo para querer voar tão alto?

4) Antes sós que mal acompanhados

"Aqui ninguém faz fretes a ninguém!" Era o que mais faltava, sobretudo quando o "frete" poderia ser ao F. C. Porto. "Na próxima jornada existe a oportunidade de chegar ao primeiro lugar do campeonato e vamos lutar por isso." Ora aqui está um exemplo de ambição saudável.
Quanto ao facto de este ano só fazer parte do plantel um jogador dos "Dragões", é mais uma prova "contra a teoria de que nos tínhamos vendido ao F. C. Porto". Os "andrades" pelos vistos queriam impingir umas sobras, mas o único que interessava da lista era o Diogo Valente. "Alguns dos que queríamos são actualmente titulares do F. C. Porto". Não vejo bem quais. Para além do Lucho, do Lisandro e do Bruno Alves, para que nos serviam os outros "mancos" que por lá fazem que jogam?

1 comentário:

Anónimo disse...

Meu amigo: o Braga e o Guimarães não são vizinhos do "eucaliptal" chamado FC Porto, tão pouco teve de aguentar com a sanguessuga do Boavista que muito beneficiou da longa viagem do Leixões nos escalões secundários. Demos tempo ao tempo e apareçam os golos que os sócios vão aumentar. O Leixões não precisava só dos sócios do Brga e do Guimarães, mas sim da quase exclusividade do clube do concelho. Aqui, em Matosinhos, há um euro para o Leixões e logo se levantam, a par dos políticos oportunistas, inúmeros clubes, todos a querem estádios.