sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Desesperança



Perguntaram-me várias vezes o que achava do país. Respondi sempre da mesma forma: o primeiro impacto foi de assombro com a força da Natureza, a beleza da paisagem, as praias paradisíacas, as gentes afáveis.
No entanto, e à medida que os dias foram correndo, uma outra realidade impôs-se a esta imagem de bilhete-postal: a da pobreza extrema e, pior do que isso, a da desesperança. O termo nem sequer é meu, foi assim que o primeiro-ministro de S. Tomé e Príncipe, com surpreendente sentido de autocrítica, se referiu ao momento que atravessa o seu país.
O Parlamento de S. Tomé aprovou, há poucos dias, o Orçamento de Estado para 2009. Mas não há muito para contar e isso diz quase tudo. São pouco mais de 100 milhões de euros. E cerca de 85% dessa verba será garantida pelo apoio externo. O Estado são-tomense não é capaz de gerar receitas porque não tem a quem cobrar impostos.
Parte da ajuda externa que ajuda a formar o Orçamento chega de Taiwan. É o maior contribuinte em numerário do arquipélago. Os chineses insulares não estão muito interessados no desenvolvimento de S. Tomé, é apenas o preço a pagar pelo reconhecimento da independência face à China continental. Que uns quantos estados, tão necessitados de dinheiro como S. Tomé, aceitaram vender.
O outro grande parceiro externo é Portugal. Mais do que em dinheiro, o apoio chega em "géneros". Os quase 50 milhões de euros que os são-tomenses vão receber, até 2011, chegarão através de programas de saúde e de educação. Esforço louvável, às vezes inglório. Porque há equipamento médico tão necessário que desaparece, porque o sistema de cuidados primários de saúde nem sempre funciona, porque os alunos dos professores portugueses não têm material didáctico e, em muitos casos, também não têm o que comer.
Durante os últimos anos, os políticos são-tomenses foram iludindo o seu povo com a promessa de uma "idade do petróleo". Mas essa é uma quimera que se esconde, quase inacessível, no fundo das águas do golfo da Guiné. E a queda abrupta do preço do barril nos mercados internacionais afunda o que ainda sobra do sonho.
Esta incerta "idade do petróleo" sucede a uma "idade do cacau". Uma indústria já decadente quando o país conquistou a independência foi destruída com a nacionalização das roças dos colonos portugueses. O Estado quis nacionalizar os lucros, mas limitou-se a extinguir a capacidade produtiva. As roças foram tomadas pelas populações, as infra-estruturas pilhadas, os cacaueiros absorvidos pela floresta equatorial.
Chega-se ao extraordinário ponto de ouvir aqueles que trabalharam em duras condições, sob o mando de capatazes coloniais pouco amistosos, suspirarem pelo regresso dos portugueses às roças. Desesperança parece ser, de facto, a palavra certa.




[Crónica originalmente publicada no JN de 22 de Dezembro]

Na rota do Equador



“Estava inebriado com o cheiro abafante a clorofila que vinha de terra, entorpecido pela humidade opaca do ar (…) Suspirou fundo, olhou a toda a volta, até onde as montanhas desapareciam na neblina húmida, e olhou também para trás de si, onde o azul do mar se fundia num horizonte perdido, e disse baixinho, como se recitasse poesia só para si: Eu vou gostar disto! Eu vou amar isto!”


“Equador”, o primeiro romance de Miguel Sousa Tavares, vendeu mais de 400 mil exemplares. Relata a saga de Luís Bernardo de Valença, nomeado governador de S. Tomé e Príncipe pelo rei D. Carlos, em 1905. Tinha como missão convencer os ingleses, principais importadores do cacau produzido em S. Tomé, de que não havia trabalho escravo nas roças do arquipélago. O personagem é ficcional, mas o romance fundamenta-se nos acontecimentos da época. E descreve um país fascinante.

Como o próprio autor já confessou, “um livro que reflecte a perspectiva de quem está a escrever quase como quem está a ver um filme”. Já houve quem lhe fizesse a vontade. Hoje mesmo estreia, na TVI, uma série de 26 episódios inspirada em “Equador”. A um dos livros mais vendidos de sempre, sucede a série mais cara de sempre da televisão portuguesa. Com um único senão: as cenas que no livro se passam em S. Tomé foram rodadas no Brasil. O que não impede o leitor e viajante de seguir, com facilidade, uma espécie de roteiro do “Equador”.



[Trabalho originalmente publicado na edição de 21 de Dezembro do JN]

Baía de Ana Chaves



“O Zaire fundeou na Baía de Ana Chaves, de frente para a cidade, a cerca de quinhentos metros do molhe que defendia a avenida marginal das águas do Atlântico (…) Não havia porto nem sequer um cais de amarração em S. Tomé: carga e passageiros trasladavam-se a terra em simples chatas a remos”.



Um século depois, a descrição mantém impressionante actualidade. É verdade que os passageiros chegam agora de avião, mas a carga continua a ser trasladada em barcaças. S. Tomé não tem porto de águas profundas e os cargueiros repousam ao largo, às vezes durante dias, esperando as barcaças puxadas por um rebocador para o qual nem sempre há combustível. Por vezes, os comandantes cansam-se da espera e seguem a sua rota sem descarregar.

Palácio do Governador



“A mais visível e imponente construção, dominando uma larga praça que parecia ser o lugar mais amplo de toda a cidade (…) Tinha dois andares e estava pintado no mesmo castanho da Câmara Municipal (…) com as esquinas e as grandes ogivais recortadas a branco. Um gradeamento a toda a volta delimitava um jardim imensamente arborizado e uma guarita com uma sentinela assinalava um portão aberto no meio do gradeamento”.




Já não existem governadores em S. Tomé. O país adoptou um regime semi-presidencial e o Palácio do Governador transformou-se tranquilamente em Palácio Presidencial. Trocou os tons castanhos que se descrevem no “Equador” pelo cor-de-rosa, mas mantém os jardins. Continua a ser o edifício “mais visível e imponente” e é considerado uma referência arquitectónica, até pelo estilo colonial. Só que, nas guaritas de que fala o escritor estão agora soldados armados que não apreciam fotografias.

Forte S. Sebastião



“De terra, tinham respondido com outros três apitos vindos da Capitania e uma salva de dezassete tiros disparados da Fortaleza de S. Sebastião. De repente, parecia que toda a gente começava a convergir para o molhe”.



Era a fortaleza que acolhia a guarnição portuguesa a que o “governador” Luís Bernardo recorreu para pacificar os revoltosos das roças da ilha do Príncipe. Construído em 1575, o forte acolhe agora o museu nacional. Na praça em frente à entrada principal, três estátuas prestam homenagem a João de Santarém, Pêro Escobar e João de Paiva, navegadores portugueses que, a 21 de Dezembro de 1470, atracaram em Ananbó, na costa Norte.

Tribunal



“Nessa manhã, no Tribunal, o juiz surpreendera tudo e todos ao decretar a absolvição dos dois foragidos da Rio do Ouro, mandando que ambos fossem devolvidos à roça, com a expressa determinação de que nem os seus contratos podiam ser prorrogados, nem eles poderiam ser submetidos a castigo”.



É no Tribunal que decorre um dos capítulos mais intensos da trama de “Equador”. O governador constitui-se advogado de dois fugitivos e torna-se uma personagem odiosa para os colonos que, nas roças, tratavam os contratados como se fossem escravos. Um século depois, o Tribunal mantém-se no mesmo local e com a mesma função, com frente para a marginal e a baía.

Roça Rio do Ouro






“A Roça Rio do Ouro, com trinta quilómetros de perímetro, era a maior e a mais impressionante das roças que vira até aí (…) duzentas e trinta mil arrobas de cacau por ano, facturando sozinha a astronómica quantia de 1200 contos ao ano, que o seu dono, o conde de Valle Flôr, se encarregava de gastar em Lisboa ou Paris” (…) Um exército de formigas labutava no meio da plantação (…) limpavam, capinavam, abriam covas, colhiam e juntavam o cacau que outros recolhiam em cestos às costas, transportando-os até à linha férrea, que parecia quase de um comboio em miniatura”.



A Rio do Ouro ainda existe, agora com o nome de Agostinho Neto. Mas a “idade do cacau” - que fez de S. Tomé e Príncipe o maior exportador do mundo, na viragem do século XIX para o século XX – já terminou. Com a independência, esta e todas as roças que pertenceram aos colonos portugueses foram nacionalizadas. E com a opção política sobreveio a ruína. O terreiro da Roça Rio do Ouro que se descreve no “Equador” continua a ser um local impressionante, mas a produção de cacau já não existe. O “exército de formigas” foi substituído por bandos de crianças que cercam os visitantes pedindo doces. As dezenas de edifícios do complexo foram ocupadas pela população, enquanto as terras por onde antes se espalhavam milhares de cacaueiros foram ocupadas pela floresta equatorial.

Praia das Conchas



“Na volta, paravam sempre numa praia – a de Água Izé, a de Micondó, a das Conchas ou a das Sete Ondas – e tomavam um longo banho de mar, naqueles paraísos abandonados, onde nunca ninguém, fosse preto ou branco, vinha a banhos”.



É numa destas praias, a de Micondó, que Luís Bernardo se transforma no amante de Ann, a mulher do cônsul inglês. O fascínio pelas praias de S. Tomé mantém-se. Continuam a ser praias de “água morna e translúcida”, mas já não são paraísos abandonados. Os são-tomenses garantem que continuam a ser excelentes locais para namorar.

Ilha do Príncipe



“A cidade de Santo António do Príncipe recortou-se à proa do Mindelo, emergindo da neblina como uma jangada verde flutuando na superfície desolada do Oceano”.



Seguindo a trama de “Equador” é no Príncipe que rebenta uma revolta de contratados contra os maus-tratos dos colonos. Luís Bernardo segue por barco. Uma opção ainda hoje possível, mas só para quem quiser arriscar uma viagem de 11 horas em embarcações pouco fiáveis. A maior parte dos visitantes prefere o bimotor a hélice da “Africa Connection” e meia hora de voo tranquilo. Seja qual for a forma como se chega, o resultado é igual: o deslumbramento com a vegetação luxuriante e praias únicas. Um paraíso na terra.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Vou ali e já venho

É verdade que nos últimos dias a minha actividade aqui pela Circunvalação tem sido muito reduzida. O tempo não chega para tudo e esta não está no topo da lista de prioridades. Por outro lado, nem sempre há assunto que mereça comentário. Mas não se preocupem, não há desistências. Embora durante a próxima semana haja o risco de uma diminuição ainda maior de comentários. Alguns dias de ausência do país assim o ditam. Vamos ver, pode ser que tenha tempo para deixar aqui alguns bilhetes-postais equatoriais. O lugar de destino justifica, isso vos garanto, eu é que não sei se terei tempo. Vão espreitando.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

O país do Bruno


1 - Lembrei-me do humorista Bruno Nogueira quando fazia compras de Natal na FNAC. Escolhia livros e, de repente, num dos escaparates, dei de caras com a fotografia de João Rendeiro, administrador do Banco Privado Português, o tal que se especializou na gestão de grandes fortunas. A obra garante-nos “O testemunho de um banqueiro”. O que até poderia ser interessante nos tempos conturbados que correm. Só que o olhar pára em seguida num dos subtítulos e fica-se surpreendido quanto à versão que de facto nos querem contar: “A história de quem venceu nos mercados”. Como no mesmo dia fui bombardeado com notícias que davam conta do aval do Estado a uma operação concertada de vários bancos para salvar o BPP da falência fiquei confundido. Vencer nos mercados seria sinónimo de falência? Foi nessa altura que me lembrei de Bruno Nogueira. Porque é dele a mais carregada caricatura sobre a actual crise financeira. Explicava o humorista, com programa na TSF, que está errado quem pensa que tem havido uma grande vaga de assaltos a bancos. O que tem havido, isso sim, é muitos gatunos de visita à família. Burlesco. Mas não tanto como usar dinheiros públicos para garantir que uma dúzia de especuladores mantenha as suas fortunas intactas.

2 – Os nossos deputados deram mais uma magnífica lição sobre o seu empenho na vida política. Sobretudo os do PSD. Não estivessem cerca de 30 sociais-democratas ausentes da Assembleia da República e teria sido aprovada uma proposta para suspender o processo de avaliação dos professores. Um enorme sarilho para José Sócrates. A proposta teria sido aprovada porque houve deputados do PS que votaram ao lado da oposição e porque outros socialistas também fizeram o favor de partir mais cedo para casa e para um fim-de-semana prolongado. Compreende-se. Como na semana em causa só tinha havido um feriado, alguns dos parlamentares do PSD e do PS já deviam estar muito cansados. Foram três dias de trabalho, já não dava para aguentar a sexta-feira. Ou isso, ou os deputados fazem questão de garantir bom material aos humoristas como Bruno Nogueira.

3 – O preço da gasolina e do gasóleo vai descendo, é verdade. Mas estamos em Portugal e há sempre gato escondido com rabo de fora. O preço do petróleo está nos 40 dólares, o mesmo que se registava em Janeiro de 2005. Acontece que, também nessa altura, o gasóleo era 20 cêntimos mais barato e a gasolina custava menos 10 cêntimos do que hoje. Acresce a isto que de então para cá o euro valorizou face ao dólar. Ou seja, para quem paga em euros, como nós, o petróleo está substancialmente mais barato agora do que em Janeiro de 2005. Adaptando a rábula bancária de Bruno Nogueira às petrolíferas, dir-se-ia que também nas estações de serviço tem havido, nos últimos tempos, muitas visitas familiares.
* Crónica originalmente publicada no JN desta segunda-feira

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Semáforos pouco inteligentes

A situação arrasta-se há anos, mas não é por isso que se torna menos irritante. Com a instalação do metro de superfície nas avenidas de Matosinhos, surgiram catadupas de semáforos. Inevitável, porque era preciso dar prioridade ao transporte público, por um lado, e evitar os acidentes, por outro. Mas o que não era preciso era infernizar de forma desleixada a vida aos automobilistas.
Um dos exemplos de incompetência de quem instalou os semáforos e lhes definiu regras e prioridades, é o conjunto que fica ali no alto da rampa da Escola Gonçalves Zarco. Um cruzamento cada vez mais importante e procurado, porque liga ao centro da cidade, à A4/A28 e ainda à Circunvalação.
Como poderão ver pela foto, o que sucede é que a passagem do metro faz com que se acendam automaticamente os sinais vermelhos para todos os semáforos. Repito, todos. No caso em apreço, como também se pode ver, até lá está um sinal que proíbe a viragem à esquerda. Ou seja, quem ali está só pode seguir em frente ou virar à direita, sem atravessar a linha do metro. Faz algum sentido o semáforo ficar vermelho? Não, não faz.
Há mais exemplos destes ao longo de vários cruzamentos, mas este é um dos piores. Pela razão já apontada - é uma zona onde passa muito tráfego, que fica desnecessariamente a ver passar o comboio... Não se arranjam uns semáforos mais inteligentes?

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Olhar o Mundo








"Olhamos uma vez para o Mundo, na infância. O resto é a memória"
Louise Glück

Como não acontece muitas vezes, também eu fui em romaria para ver a neve. Para que eles pudessem olhar um outro Mundo e construirem a sua memória. No caso, perante o cenário espectacular da serra da Peneda, em dia feriado.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Cultura sustentável


[Tinha prometido que alguns comentários seriam, de vez em quando, promovidos à página principal da Circunvalação. O texto que se segue vinha assinado por Pedro Correia]

As coisas não começaram bem. Haveria muita sabedoria popular para citar acerca do muito falar e pouco fazer. Haveria também muito a dizer sobre a política cultural da CMM. O que me interessa, no entanto, salientar neste momento é o seguinte: é uma verdade que o Dr. Rio mudou a face cultural das cidades vizinhas ao mudar a da sua cidade. Toda a gente sabe isso mas é mau reconhecer porque aparecerá sempre alguém a dizer que se está a trabalhar à sombra do inexistente e outras coisas mais. O discurso das pessoas ligadas à cultura não admite que a indústria cultural seja isso mesmo, uma indústria como qualquer outra, que tem que ser inovadora, sustentável e, principalmente, criar alternativas. O que é muito diferente de educar o povo ou como é costume dizer "formar públicos". É um lugar comum dizer que o Porto de 2001 teve muitos méritos e muitos defeitos mas se houve algo que conseguiu demonstrar claramente foi que não há público para determinadas iniciativas. Isso levanta questões há muito discutidas sendo que, para mim, uma das mais importantes é qual a forma de apoiar as artes ou os artistas mais "alternativos" ou "visionários", que por essa mesma razão são incapazes de ter a casa-cheia ou obter patrocínios. Sabendo que o país é pequeno, logo as minorias não são rentáveis, e que não é tradicionalmente ligado às artes, qual o papel de quem pode ditar as regras quer por que tem o dinheiro ou porque tem os espaços? Será o papel protagonizado pela Dr. Pinto? Onde está a massa crítica da cidade? Onde estão os artistas (e não falo dos artistas que estão ligados ao poder porque esses já sabemos quem são e como fazem as coisas)? Eu respondo porque sei do que estou a falar: Não estão e assim nunca estarão. A não ser que... apareçam na TV.

Pedro Correia

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Teatro para coitadinhos?


Luísa Pinto tem de decidir, de uma vez por todas, qual é o rumo que quer dar ao Teatro Constantino Nery. E era bom que não fosse o de o utilizar como objecto de vingança contra Rui Rio e a sua política cultural, e ainda menos para o usar como compensação às companhias que, segundo nos diz, foram "muito maltratadas" pelo autarca do Porto. Matosinhos tem que se afirmar por si e não contra os outros.
Numa entrevista publicada esta segunda-feira no Público, foi ainda mais longe do que já dissera ao JN: "Faço questão de privilegiar as estruturas do Porto que têm sido muito maltratadas"; "O Constantino pode e deve ser uma casa de acolhimento para as companhias que perderam lugar no Rivoli". Entre outras pérolas.
Se for assim, podemos começar a temer o pior. É verdade que a opção de entregar uma sala municipal a uma única companhia é um disparate. O dinheiro dos contribuintes não pode ser usado para patrocinar, em regime de exclusividade, o senhor La Féria ou outro senhor qualquer.
Mas a situação anterior no Rivoli também não era famosa. O dinheiro dos contribuintes não tem que ser gasto a patrocinar companhias que não conseguem ter mais do que meia dúzia de espectadores. E a julgar pelo discurso inicial da directora artística do Contantino é isso que se prepara para fazer.
Disparatado, igualmente, é o discurso saudosista do Porto 2001. Como se fosse possível prolongar um evento como aquele. Luísa Pinto lembra que havia 18 estruturas teatrais na altura. Imagino, tantos foram os milhões para distribuir. Convirá talvez lembrar que o Porto 2001 teve muito público, mas que era sempre o mesmo. Ou seja, os que faziam parte da imensa lista que recebia bilhetes de borla para tudo o que era espectáculo. Quando a benesse acabou, acabou-se o público e as companhias. Nada mais natural.
O que vale é que, com o avançar da entrevista, a directora artística do Constantino desmente tudo o que disse no arranque. E começa finalmente a explicar o que quer fazer. E percebe-se que o teatro municipal de Matosinhos será muito mais do que um albergue de companhias de "sem-abrigo". Vai ter teatro, mas também música, cinema, dança. E um café-concerto com noites temáticas de poesia e leituras encenadas.
Um conselho, portanto, a Luísa Pinto: da próxima vez que a entrevistarem, esqueça o discurso já serôdio da protecção aos "coitadinhos" do Porto. Já não é "fashion", já ninguém quer saber, já cheira mal. Teria sido preferível arrancar com outra das suas afirmações: "O Teatro não é meu, é da cidade, é dos cidadãos". E agora programar de acordo com a afirmação. Preocupe-se menos com o combate político, essa é tarefa para o presidente da Câmara, concentre-se mais na difícil tarefa de manter o Constantino sempre cheio. Só assim poderá dizer que ele é da cidade e dos cidadãos. O resto é conversa da treta.

Honório de fora

"O deputado Honório Novo e o histórico Carlos Costa não figuram na lista proposta ao Comité Central (CC) aprovada domingo e que será votada durante o congresso do fim-de-semana, revelou ontem a agência Lusa. O Comité Central aprovou domingo a proposta de composição - com dois votos contra e três abstenções - mas não foi divulgada a lista, o que só acontecerá amanhã, na edição do Avante!, órgão oficial do PCP. Contactado pela Lusa, Honório Novo, deputado eleito pelo círculo do Porto e dirigente comunista, esclareceu que sua saída do Comité Central foi conversada e aconteceu a seu pedido."
in Público
Ainda não se sabe de facto o que isto quer dizer, mas pode-se sempre especular um pouco. Até porque o também vereador da CDU já disse que não queria voltar a ser candidato à Câmara Municipal de Matosinhos. Agora acontece a saída do Comité Central, pelos vistos a seu pedido. O que é estranho quando se sabe que Honório Novo tem assumido bastante protagonismo também como deputado na Assembleia da República. Será que o próximo passo é deixar também a AR?

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Guerra civil

Maria de Lurdes Rodrigues e Mário Nogueira fazem lembrar dois generais romanos, César e Pompeu. Ambos lutando pelo estatuto de Primeiro Homem de Roma. Ambos obcecados pelo poder e pela sua “dignitas”. Ao ponto de se envolveram numa guerra civil que quase destruiu a sua civilização. A dúvida, por enquanto, é saber quem, nesta comédia moderna, encarna César [o vencedor] e quem encarna Pompeu [o derrotado]. Sendo que o actual campo de batalha, em vez de Roma, é a escola pública.
Ministra e sindicalista foram, nos últimos dias, cavando trincheiras, reunindo centuriões, aumentando o tom da retórica, diminuindo a margem de recuo, liquidando a possibilidade de negociação racional. Estão num beco sem saída e nem percebem que é o mesmo beco. Como se escreveu mil vezes, nenhum conseguirá recuar sem perder a face. Sem perder a “dignitas”. Não tarda e será até inconsequente tentar perceber se algum tem mais razão que o outro.
No caso de Roma, acabou por vencer César. Não era melhor nem pior que Pompeu, nem como general, nem como político, nem como intelectual. Mas, como se sabe, a história é escrita pelos vencedores, e portanto foi César que passou para a galeria dos heróis e para o panteão dos deuses. Mas essa é apenas uma forma de interpretar a História. Outra é lembrar que a guerra deixou ressentimentos tão profundos que o vencedor pouco lhe sobreviveu. O “primus” acabou assassinado pelos seus “pares” quando ainda apenas tinha começado a usufruir do seu novo estatuto.
Maria de Lurdes Rodrigues e Mário Nogueira são duas personalidades relevantes da política portuguesa. Com virtudes, mas também com defeitos: a primeira porque vai transformando a sua obstinação num fim em si mesmo; o segundo porque persiste em confundir o interesse da corporação com o interesse do país. Um e outro estão cada vez mais parecidos, uma vez que ameaçam sobrepor a sua “dignitas” ao interesse colectivo. Quando e se um deles acabar por finalmente sobrepor-se ao outro, já não terá louros para colher. O povo não gosta de guerras civis. São demasiado destrutivas e deixam feridas incuráveis.
Disse Manuel Alegre no final desta semana que os generais precisam de saber fazer a guerra, mas também de saber fazer a paz. Percebeu que a ministra abriu algumas portas e pedia-lhe que não as voltasse a fechar, enquanto apelava aos sindicatos que aproveitassem a porta entreaberta para negociar. Veremos se o fim-de-semana serviu para acalmar espíritos bélicos ou se as legiões voltarão à formação de batalha.

P.S. Há uma escola em Beiriz, na Póvoa de Varzim, onde o processo de avaliação decorre dentro dos prazos, sem manifestações nem protestos. “Em vez de meterem a cabeça na areia”, os órgãos da escola empenharam-se em encontrar soluções menos burocráticas. Depois das primeiras notícias, o Conselho Executivo opta agora pelo silêncio. Porque de outras escolas e de outros professores o que chegam não são elogios, são acusações de “fura-greves”. Conclui-se que a alguns professores faria bem regressar à condição de aluno. Para frequentarem a cadeira de “Formação Cívica”…
(*) Crónica originalmente publicada no JN desta segunda-feira

domingo, 23 de novembro de 2008

Matosinhos Hoje

Caro Rafael:
O conteúdo que você critica são notícias da acção do Presidente da Câmara e que não devem ser escondidas. Seja ele qual for o presidente. Foi assim noutros tempos, é assim agora, será assim no futuro. Não encontra, à volta das mesmas qualquer texto de opinião. E na edição há alguns textos de oposição. Pena que o exemplo do "Matosinhos Hoje" não o coloque em contraste com os outros. E, como jornalista que fui, com grandes responsabilidades, nascido nas fileiras do JN, leio com muita atenção o que nele se passa. E também tenho muitos dias em que me arrepelo. Sabe que trabalhei debaixo da odiosa censura política, mas hoje vivemos (no plural), debaixo duma ainda mais pungente censura económica. Agradeço-lhe a publicidade e quanto à estima, nunca duvidei.
Joaquim Queirós
PS: O texto acima foi-me enviado em jeito de comentário ao post anterior. Só agora o publico porque só agora tive tempo para ler o que tinha chegado nos últimos dias. Acrescento que não pretendo entrar em polémica, mas entendo que é importante dar alguns esclarecimentos. Sobre a publicação das notícias, nada a dizer. O problema é a excessiva personalização. É pouco salutar, pouco democrático. Embora sejam reflexo da forma de fazer política da autarquia e do autarca. Hoje como ontem, insisto. Quanto ao contraste com os outros, não se pode fazer, porque acho que o Matosinhos Hoje é o único jornal local, com o defeitos e virtudes que tem. Repito, o único jornal local de Matosinhos. Finalmente, é verdade que nem sempre o resultado final de um jornal que vem à estampa é o melhor. É assim com o Matosinhos Hoje, é assim com o JN, é assim com todos os jornais. Só nos resta fazer melhor na vez seguinte.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Não será um pouco exagerado?


Não vale pena ter excessivas ilusões. A Imprensa local depende e dependerá sempre, para sobreviver, da publicidade que as instituições públicas canalizam. Ou seja, da publicidade que uma câmara e respectivos satélites estiverem dispostos a pagar. É assim em Matosinhos, ontem como hoje, como é assim noutros municípios. Mas, apesar dessa fragilidade, e imprensa local continua a ter importância. E a dar-nos informações e perspectivas que não encontramos em mais nenhum órgão de comunicação social.
Há dias, no entanto, em que mais valia a edição não sair do prelo. É o caso da última edição do Matosinhos Hoje. Pelo menos a edição online, que normalmente reproduz o que está no papel. Abre-se a página na internet e fica-se esclarecido.
A primeira notícia é sobre a inauguração do Constantino Nery, com a respectiva referência ao presidente da Câmara, Guilherme Pinto.
A segunda notícia leva-nos para a primeira visita alguma vez feita por um primeiro-ministro à refinaria de Petrogal [que honra] e mostra-nos uma imagem de uns senhores, incluindo o presidente da Câmara de Matosinhos, Guilherme Pinto, com uns capacetes na cabeça.
A terceira notícia, numa espécie de crescendo, já tem como figura central o presidente da Câmara de Matosinhos (com a respectiva fotografia de corpo inteiro) e relata-nos as suas mais recentes críticas às propostas de Rui Rio para o metro.
A quarta notícia dá conta de um debate promovido pelos alunos da Escola Secundária Augusto Gomes, em que participaram Pedro Passos Coelho e... Guilherme Pinto (com a respectiva foto de mão no ar).
A quinta notícia mostra um grupo de gastrónomos reunidos à volta de uma "receita de sucesso", concretamente a associação "O peixe à mesa". Como é evidente, lá está a foto do chefe do cardume.
A sexta notícia, sobre a plataforma logística de Leixões, é mais discreta, mas o presidente da Câmara de Matosinhos, Guilherme Pinto, e o que ele pensa sobre o assunto está lá, apenas à distância de um "click".
Com muita pena minha, pelo respeito que me merece um homem como Joaquim Queirós, pergunto: para que quer a Câmara de Matosinhos uma revista municipal quando tem o Matosinhos Hoje?
E pergunto mais ainda: não incomoda ninguém o que isto evidencia sobre o conceito que por aqui se tem de democracia ou de Imprensa livre? E já agora do uso e abuso de dinheiros públicos apenas para garantir propaganda encapotada?
Bom, poderemos sempre dizer que estamos ao nível de uma Madeira jardinista ou até de uma Venezuela chavista. O problema é que não temos, nem subsídios pela insularidade, nem os rendimentos do petróleo.

A bancada vai abaixo?


Tudo muito bem no papel. O problema é que ficam algumas perguntas por responder. Falo do Plano de Urbanização na envolvente ao Estádio do Mar que prevê, entre outras coisas, um novo viaduto sobre a A28, peça integrante de uma nova avenida entre a Barranha e a Cruz de Pau. Resulta muito bem no papel, prenuncia vários problemas no terreno.
O primeiro problema é que só se pode fazer demolindo uma das bancadas do estádio do Mar. A nova avenida passa rigorosamente por cima do que é hoje a superior Norte (onde se costumam acomodar os adeptos das equipas que nos visitam).
O segundo problema, ainda mais complexo, é que a execução do plano rodoviário (para além do viaduto e da avenida, há mais ruas novas previstas) e dos equipamentos públicos, implica o fim dos campos de treinos do Leixões. Todos. O mais velhinho, ali à ilharga do Pavilhão de Desportos e Jantares, como os mais recentes, entre o estádio e o túnel de acesso à Barranha (Feira da Senhora da Hora).
A pergunta a que ainda ninguém respondeu é onde se vão fazer, antes disso, os campos de treinos que, para além da equipa principal, servem os escalões de formação e as escolinhas do Leixões. E já agora quem os vai pagar. É que não chega ter boas ideias e fazer desenhos bonitos. É preciso saber como se aplicam. Ou então não passa de propaganda.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Sardinha capitalista


"Um quilo de sardinhas, acabadinhas de sair do barco, é vendido na lota de Matosinhos a um preço médio de 0,69 euros. É transportado para um mercado do Porto ou entregue numa peixaria das imediações. Meia hora depois, entra um cliente para comprar um quilo da mesma sardinha. Custo: 4,65 euros.
Num curto espaço de tempo, meia dúzia de quilómetros cumpridos, o preço da espécie mais pescada em Portugal multiplicou-se sete vezes. É caso para dizer que o peixe, tão querido da dieta alimentar dos portugueses, está pela hora da morte."




Li hoje esta na edição online do Público. E acho muito interessante que haja um grupo de senhores muito importantes e muito preocupados com a regulação dos mercados mundiais. Pena que seja só com o mercado de acções, do petróleo e da finança. Ora digam lá que o mercado da sardinha não precisa também de uma regulaçãozita... Só não a entreguem é ao cuidado de Vítor Constâncio. Se ele não distingue as vigarices do BPN de uma qualquer transferência bancária para pagar a conta do supermercado, ainda acabávamos os nossos dias a comer sardinha espanhola.
Reforcemos a informação contida na notícia. Os 0,69 euros representam a receita que os pescadores conseguem depois de horas de esforço brutal e muito dinheiro gasto em manutenção de embarcações, redes, gasóleo. Pois bem, em meia dúzia de minutos os vários intermediários sacam sete vezes mais, ou seja quatro euros limpinhos. Viva o capitalismo!

Será retórica? É perigosa!


Os professores queixam-se da burocracia com que o processo de avaliação afogou as escolas. Mais burocracia significa mais horas a tratar de papelada e menos horas a preparar as aulas. Menor atenção aos alunos, menor atenção ao currículo escolar. “Com tanta papelada fica a turma abandonada”, sintetizava um dos cartazes que se viram no sábado, na manifestação de professores.
Um pesadelo burocrático que, com mais ou menos exagero, se pode contabilizar. “Para cada um dos professores que tenho de avaliar preciso de preencher 44 folhas. No nosso Agrupamento, que tem 133 professores, teríamos de preencher 5862 páginas, que pesam 33 quilos e 200 gramas”, explica um professor titular de Esposende, que tem como função avaliar os seus colegas.
Desta vez, e ao contrário de Março passado, os professores foram bem instruídos pelos sindicatos. Usam uma linguagem que os pais dos alunos percebem. E nenhum pai fica tranquilo quando o percurso escolar do filho é assim tão cruamente posto em causa.
Mas a preocupação dos pais não pode ser confundida com apoio incondicional à luta dos professores. Se o mote é, desta vez, o sistema de avaliação e a sua carga burocrática, sabemos todos que há gato escondido com rabo de fora.
Os professores também estiveram e continuam a estar contra as aulas de substituição. Como estiveram e estão contra a Escola a Tempo Inteiro. Como estarão, sempre que funcionarem de forma corporativa, contra qualquer reforma que ponha em causa direitos adquiridos. Por mais absurdos que sejam.
Nos últimos anos, os professores foram obrigados a passar mais tempo na sala de aula, mais tempo dentro da escola. Para uns foi um choque, porque perderam tempo livre; para outros uma injustiça, porque o tempo que usavam para serem melhores professores foi tomado por tarefas aparentemente menores.
Como sempre, é no meio que se encontra a virtude. A ministra da Educação pode orgulhar-se das transformações que introduziu na Escola Pública. A seu tempo darão os devidos frutos. Teve de ser, demasiadas vezes, inflexível. Mas terá agora de demonstrar flexibilidade. Os professores têm de ser avaliados, mas não o podem ser à custa dos alunos. Ainda que esta ameaça seja apenas retórica, é demasiado perigosa.

P.S. “Contra o estatuto do aluno; pelo vosso entretenimento”, dizia o cartaz que um aluno empunhava numa das “manifestações” de estudantes. São contra o novo estatuto, porque não querem fazer provas de recuperação; são contra as aulas de substituição, porque querem mais umas horas de ócio. E gostam de atirar ovos e tomates. Não vale a pena ser demasiado duro. São adolescentes. As alterações hormonais próprias da idade tendem, para além da prevalência do acne, a revelar comportamentos menos ortodoxos. Tal como as borbulhas, a indignação passará em poucos dias.

(*) Crónica originalmente publicada no JN desta segunda-feira

Um caso muito sério

Nada como dar a palavra a quem sabe da poda. Este é o comentário de Jorge Pedroso Faria, editor de Desporto do JN. Está na edição de hoje e transcrevo na íntegra:

Utilizar os 2261 caracteres do comentário da oitava jornada da Liga única e exclusivamente para escrever sobre o Leixões não é mais do que um justíssimo tributo à equipa que mais tem encantado nos relvados do nosso principal campeonato. A vitória dos bebés em Alvalade é apenas um novo pedaço da afirmação de um conjunto que começou por ser levado a brincar, mas que, não há qualquer dúvida, é um caso muito sério...Falar na qualidade de uma mão-cheia de jogadores, como Beto, Bruno China, Roberto Sousa, Wesley e Braga, e esquecer todos os outros é de uma tremenda injustiça. O futebol é um jogo colectivo e, justiça seja feita a José Mota, este Leixões é o melhor exemplo disso mesmo.Curiosamente (ou talvez não…), a história do Leixões 2008/09 começou por ser feita com derrotas. Na pré-época, onde os resultados – prova-se agora, para quem ainda duvidava – não são mesmo o mais importante, e na primeira jornada da Liga, em casa, diante do Nacional, um jogo em que os leixonenses mostraram debilidades que seriam colmatadas nos últimos dias de mercado, com as contratações de Laranjeiro, Roberto Sousa e Wesley. Desde então, foi o que se viu. Uma maré de belíssimo futebol sempre a encher. Um futebol desinibido e consistente, e que registou apenas um empate, no Mar, frente ao Benfica, numa partida em que as águias levaram um banho de bola.As vitórias no Dragão e em Alvalade são mais dois marcos de uma epopeia que tem tudo para ficar na história do emblema matosinhense e, por que não, do futebol nacional. Falta o triunfo na Luz – o jogo marcado para o início de Março – para o Leixões fazer o que nunca ninguém fez: ganhar, na mesma época, em casa dos três grandes.Sexta-feira, em Vila do Conde, os matosinhenses têm, por certo, o mais difícil teste desde que são líderes da classificação. Até pode parecer estranho, mas a verdadeira dimensão deste Leixões será posta à prova no reduto do Rio Ave, onde F. C. Porto e Benfica perderam pontos e onde o Sporting venceu pela margem mínima. Passar incólume nos Arcos é provar, definitivamente, que o campeonato do Leixões reside no topo da tabela. Aí, não será por uma ou duas saídas do plantel, em Janeiro, na reabertura do mercado, que irá mudar o fabuloso destino que a equipa de José Mota tanto merece.

Extraordinário!











Eu sei que já foi no sábado, mas, para alguns, fim-de-semana também é sinónimo de trabalho. Por isso não tive outro remédio senão assistir a mais uma fabulosa jornada do Leixões a partir da minha secretária. E só agora actualizar os comentários. De qualquer maneira ainda vale a pena olhar para as primeiras páginas dos jornais de domingo. Sobretudo para a de "A Bola" - que, no dia do jogo, titulava: "Benfica ao assalto do 1º lugar". Assumindo que o clube do Mar ia perder. Deve-lhes ter custado engolir. Vão ter de aguentar mais algum tempo em segundo lugar. Até porque esta performance do Leixões já não pode ser confundida com um fogacho. Vê-se esta personalidade, esta bravura e esta qualidade vieram para ficar. Mesmo que não dê para chegar ao fim em primeiro. Já ganhámos o nosso campeonato.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Guilherme matou dois coelhos


"Deslealdade" e "prepotência" foram, quarta-feira, as principais críticas que Guilherme Pinto, número dois da Junta Metropolitana do Porto, fez a Rui Rio, acusando-o de apenas pretender, com a sua proposta [para o metro], "manter a polémica acesa por razões partidárias" (...) contestou o facto de "passar para segundo plano" a linha de S. Mamede, num "insulto à população" do concelho (...) "O objectivo é também comprar uma polémica com o presidente da Câmara de Matosinhos", concluiu. (...) "Não sou um presidente parolo. Por isso, defendo os interesses numa lógica metropolitana", atirou. A proposta feita pelo líder da JMP à Metro, contra a vontade dos autarcas do PS, foi classificada por Guilherme Pinto como "ilegítima, desleal e desfocada da realidade". (..) Quanto a abrir os concursos até Janeiro próximo, como pede Rio, fala de "má-fé" por não estarem "reunidas as condições". "Felizmente, ela não terá efeito. Ninguém vai olhar para isto com atenção", rematou, responsabilizando Rio pelos "meses perdidos à conta de uma birra"...

in Jornal de Notícias

Que havia uma guerra entre o PS e o PSD ao nível metropolitano já se tinha percebido. Que ela tem sobretudo a ver com o ano eleitoral que se aproxima é uma evidência.
Depois de Rui Rio ter feito uma proposta, em nome da JMP, para que o Governo cumpra o memorando de entendimento assinado no ano passado, vem agora Guilherme Pinto protagonizar o contra-ataque socialista.
Não sei se perceberam, nomeadamente, aquela parte do "parolo" e a quem é dirigida. Eu acho que os destinatários são dois: Rio e Narciso. É uma linguagem pouco habitual, sobretudo entre autarcas da AMP. E significa que vamos de facto ter um ano verbalmente muito intenso em todas as frentes.
Aliás, se bem percebo tudo o que está aqui em causa, Guilherme Pinto foi bastante violento também porque a posição de Narciso Miranda sobre o que se passa com o metro é muito parecida com a de Rui Rio.
Guilherme Pinto, ao atacar o o autarca do PSD, e assim assumir protagonismo no PS/Porto no período que se aproxima, aproveitou igualmente para desferir mais um golpe no opositor "independente" de Matosinhos. Como se costuma dizer, tentou matar dois coelhos com uma só cajadada.
Mas atenção... só em sentido figurado. Os coelhos são na verdade lobos e também sabem usar os cajados.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Sondagem da Serpa Pinto

A DOMP está a fazer uma sondagem. Mas desta vez não é para saber quem pode vencer as próximas eleições autárquicas. O objectivo é saber o que pensam os matosinhenses das alterações na Avenida Serpa Pinto. E quando digo matosinhenses quero dizer aos habitantes da freguesia de Matosinhos.
Sabendo-se que a DOMP é uma espécie de empresa socialista de sondagens, rapidamente se conclui que está a fazer a dita sondagem, ou para o PS de Matosinhos, ou para a Câmara ou para a Junta.
A mim parece-me bizarro que alguém gaste uns milhares de euros para fazer uma sondagem sobre a postura de trânsito de uma rua. Esperemos que ninguém se tenha lembrado de gastar dinheiros públicos com semelhante disparate.

Revista de Imprensa

Algumas notícias que interessam

- Sobre a Plataforma Logística de Leixões e a suspensão do PDM
- Sobre a proposta dos autarcas do PSD para o Metro
- Sobre as acusações de Narciso a propósito do Piddac
- Sobre a possibilidade de o PCP ser fiel da balança na Câmara
- Sobre o Constantino, numa entrevista de Fernando Rocha

O albergue espanhol

Quem disse que há um bloco central em Portugal de que fazem parte os dois maiores partidos, PS e PSD? De acordo com uma tese de doutoramento sobre identificação partidária e comportamento eleitoral, no centro político, afinal, há um só partido, o PS. Nenhum eleitor o exclui à partida, o que não abona muito em favor da coerência. Mas pelo menos facilita a conquista do Poder.
Rui Antunes, que é presidente da Escola Superior de Educação de Coimbra, assentou o seu trabalho num inquérito a 1116 eleitores da freguesia de Santa Cruz de Coimbra, que é aquilo a que se costuma chamar uma freguesia-tipo, ou seja, que costuma ter resultados eleitorais aproximados à média do país. E concluiu que, mais do que partidos, os cidadãos definem dois campos políticos. E que cada eleitor tem uma zona de exclusão, ou seja, partidos que estão numa espécie de "lista negra" e nos quais nunca votaram ou votarão.
Os maioria dos eleitores que se identificam com o PCP ou o BE, colocam quase sempre o PSD e o CDS na sua zona de exclusão. O inverso é igualmente verdadeiro. Já ao PS ninguém coloca na zona de exclusão. É uma espécie de albergue espanhol, onde cabe toda a gente. A questão que se coloca, mas a que o estudo não responde, é se será isto motivo de grande orgulho...

terça-feira, 11 de novembro de 2008

"Não sou um yes man"

A Junta de Matosinhos exigiu, esta segunda-feira, a retirada da sinalização da Avenida de Serpa Pinto. "Tem erros técnicos", repetiu António Parada. "A obra foi devidamente fundamentada", respondeu, ao JN, o socialista Guilherme Pinto (...)
"Não vale a pena a Câmara repetir a ideia que está a estudar o problema. Os camiões e automóveis são obrigados pisar as linhas contínuas e, como tal, estamos perante uma violação do Código de Estrada", considerou António Parada, da Junta de Matosinhos (...)
"Não sou seguidista, um yes men de Guilherme Pinto e defendo os interesses dos cidadãos eleitores. Caso a Câmara não satisfaça as nossas pretensões iremos avançar com uma acção de impugnação da decisão camarária", disse (...)
Leitura diferente dos acontecimentos teve ao JN, o presidente da Câmara, Guilherme Pinto. "A Avenida de Serpa Pinto foi sempre uma questão difícil. Por isso, foi feito um estudo técnico e a solução preconizada apontou a colocação de sinalização destinada a diminuir a sinistralidade e a disciplinar o trânsito. Reconheço a existência de algumas questões mas estamos a tratar da solução", adiantou Guilherme Pinto, sem antes, ter revelado "satisfação" pela sondagem de opinião, entretanto, realizada junto dos comerciantes. "O trânsito circula agora com mais fluidez", afirmou.
Ninguém para o Parada. Pelo menos nesta história da Serpa Pinto. Das duas uma: ou isto são jogos florais para entreter parolos, ou a sólida unidade socialista que se esforçam tanto por nos vender continua a abrir brechas. Ou ambos.

Parque "entra" por Matosinhos


O Parque da Cidade vai prolongar-se para o lado de cá da Circunvalação, criando um corredor verde que se prolongará até ao Parque Real. Pelo menos é o que está previsto no projecto de reconversão do troço da Circunvalação entre a Praça Cidade S. Salvador [a rotunda da anémona] e a Rotunda dos Produtos Estrela [gosto mais deste nome do que do actual]. Um projecto para já virtual, mas que tem tudo para se concretizar. Sobretudo se conseguir, como se espera, que seja financiado pelos fundos comunitários do QREN [Quadro de Referência Estratégico Nacional]. Se assim for, a obra ficará concluída até 2012.
De acordo com a informação detalhada no JN de sexta-feira passada [uma peça da jornalista Carla Sofia Luz], a reconversão deste troço da Circunvalação deverá custar 9,92 milhões de euros. O projecto foi encomendado pela Junta Metropolitana do Porto. E só isto já seria motivo de nota positiva. Pena é que sejam tão poucos os exemplos de cooperação entre municípios [a Lipor e o Metro são outros dois bons exemplos].
Um dos principais conceitos deste plano é reforçar as ligações entre Porto e Matosinhos. Quebrando barreiras artificiais que não fazem qualquer sentido. E a mais interessante das propostas dos arquitectos Bernardo Távora, Pedro Guimarães e José António Barbosa é a de prolongar o Parque da Cidade, fazendo uma passagem por baixo da Circunvalação e prolongando um corredor verde pela zona da Biquinha e, depois, pelo vale [na foto] que vai dar ao Parque Real. Simplesmente perfeito.
Mas essa interligação não terminará por aqui. Eis outras propostas dos projectistas, que absorveram elementos que constam dos planos directores dos dois concelhos: uma nova rotunda para substituir o entroncamento da Avenida Afonso Henriques com a Circunvalação; o prolongamento da Avenida Eugénio de Andrade até à Circunvalação [aquela avenida que termina abruptamente num monte de terra, à entrada para o Bairro da Biquinha]; a requalificação da rede viária dos vizinhos bairros da Biquinha e de Aldoar, de forma a combater o gueto em que se transformaram.
Como já tinha explicado antes, este é um dos troços do plano de requalificação dos 16 quilómetros de Circunvalação. Que será transformada numa alameda, com duas vias de circulação em cada sentido, passeios alargados e arborizados, ciclovia e zonas de estacionamento.
Mais atrasado, ao que se lê, está o projecto do troço entre a Rotunda dos Produtos Estrelas [ok, a Rotunda AEP, para os mais novos] e o Hospital de S. João. Porque será da responsabilidade das Estradas de Portugal. O que não augura nada de bom. Ainda assim, e quando se fizer, implicará a demolição daquela monstruosidade de viaduto que liga a Circunvalação à Avenida Fabril do Norte, na Senhora da Hora. Uma alteração que será integrada na obra de alargamento da A28, que incluirá também a criação de acessos directos ao Hospital de Pedro Hispano e á Rotunda da Barranha. De acordo com o projecto já delineado, as estações de serviço que estão dos dois lados da A28 vão ser demolidos, para darem lugar a duas rotundas, a partir das quais se farão os respectivos acessos.
Eu sei, ver para crer, como S. Tomé. Mas pelo menos as ideias são boas e reflectem um espírito metropolitano que deve ser saudado. Mas voltando ao princípio, a proposta de ligação do Parque da Cidade ao Parque Real parece-me mesmo a cereja no topo do bolo. Os meus parabéns aos autores do projecto e, já agora, a quem for capaz de o executar.

Reformas eleitorais

"Eles querem é tacho!". Provavelmente, esta é a frase mais ouvida em Portugal, quando se pede aos cidadãos que exprimam o que sentem pelos políticos que os representam. Será uma caricatura, mas não deixa de ser preocupante. Pelo que revela de ruptura entre uns e outros e pela resignação que a sentença também encerra.
Aproximar os cidadãos da política e dos políticos é, por isso, uma tarefa urgente. Não chega convocar eleições de quatro em quatro anos, obrigando as pessoas a votar em listas de pessoas que não conhecem e a quem nunca pedirão contas. É preciso que os cidadãos se sintam de facto representados. Mas também é preciso assegurar que exista um Parlamento que reflicta, de forma proporcional, o voto popular. Uma equação impossível?
De acordo com um estudo para a reforma do sistema eleitoral tornado público na semana passada, é possível. Os autores [André Freire, Manuel Meirinho e Diogo Moreira] propõem duas alterações. A primeira, a criação de um círculo nacional, que permitirá aos eleitores votar da forma tradicional, no partido da sua preferência. Assim se assegura, por um lado, a representação dos partidos mais pequenos na Assembleia da República, e, por outro, a proporcionalidade.
A segunda alteração, mais revolucionária, é a criação de círculos locais, que deixariam de corresponder à actual divisão distrital. No caso de Portugal Continental, são 14 círculos eleitorais, em vez dos actuais 18. O eleitor terá um segundo boletim de voto, em que poderá, para além de escolher o partido da sua preferência, assinalar, na lista de candidatos desse partido, o deputado que prefere para o representar.
Só para dar um exemplo concreto: os eleitores do futuro círculo Porto-Norte [concelhos do Porto, Matosinhos, Maia, Póvoa de Varzim, Vila do Conde e Trofa] teriam um boletim para votar no círculo nacional, e outro para escolher os seis deputados que representariam a sua região na Assembleia da República. Na verdade, o cidadão poderá até escolher um partido diferente, consoante se trate da votação para o círculo nacional e para o círculo local.
Refira-se, finalmente, que o estudo foi encomendado pelo Partido Socialista. O que não garante que a proposta venha a ser aprovada. Já se ouvem muitas resistências, dúvidas, receios. Um pouco o que acontece com uma outra reforma, simultaneamente eleitoral e administrativa: a regionalização.
A opção por esta forma de governação intermédia também permitiria uma aproximação entre eleitores e eleitos. Mas nem por isso se vislumbra uma saída. O principal partido da oposição, o PSD, tem como líder uma feroz opositora da regionalização. O principal partido do poder, o PS, já não deverá incluir, no seu programa eleitoral para as eleições de 2009, a hipótese de convocar um novo referendo.
A reforma do sistema político é sempre um excelente tema de debate. Mas pára sempre aí, no debate. Nunca avança para a fase da decisão. É demasiado arriscado. Sabe-se lá se não se corre o risco de perder o tacho...
(*) Crónica originalmente publicada no JN de segunda-feira

sábado, 8 de novembro de 2008

Uuuuuuuuups!

Leio nos jornais de hoje que Fátima Felgueiras foi condenada por utilização indevida do carro oficial da Câmara. Concretamente porque foi usado para levar militantes do PS a um congresso partidário. O crime denomina-se peculato de uso. E a sanção foi de 30 dias de multa à taxa de 50 euros (1500 euros).
Se o Ministério Público decidir investigar o uso que se faz, por esse país fora, das viaturas oficiais atribuídas a políticos eleitos ou a "servidores" do Estado, suspeito que fica resolvido de vez o problema do défice. E também suspeito que Matosinhos daria uma contribuição generosa.
E se, para além do uso dos carros, investigasse o uso de telefones, máquinas de fotocópias, computadores, espaços públicos e até funcionários em benefício do partido, o valor das multas daria para decretar uma baixa generalizada do IRS.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

A directora


Luísa Pinto, a directora do Cine-Teatro Constantino Nery, dá hoje, nessa sua qualidade, a primeira entrevista [ou pelo menos a primeira que leio] a um jornal nacional. Uma oportunidade para finalmente começar a perceber o que podemos esperar de um equipamento que fazia falta na nossa cidade.
"Quero companhias do Porto em Matosinhos", diz Luísa Pinto, em título. Uma alusão ao que se passou no Rivoli, com a tomada do teatro municipal por Filipe La Féria e a consequente "expulsão" das pequenas companhias. Nada que mereça atenção excessiva.
Mais importante, por exemplo é perceber que Luísa Pinto foi nomeada por três anos. E esse pode ser o primeiro ponto de controvérsia. É verdade que é impossível programar em espaços de tempo demasiado curtos, mas também não é menos que há eleições dentro de um ano e que, quem vencer a Câmara, pode ter ideias e personagens diferentes para o espaço e para o cargo.
Um milhão de euros é o orçamento de que dispõe para o próximo ano. É difícil dizer se é muito, se é pouco. Depende da "produtividade". Que, como a própria lembra, só se consegue a médio prazo. Mas pelo menos estabelece uma espécie de meta: obter 50% das receitas através das bilheteiras.
O mais positivo, pelo menos à primeira vista, é que já haja uma série de parcerias. Por exemplo, com o Indie Lisboa, porque uma das apostas é o cinema independente. E depois com o FITEI, ou com a Seiva Trupe, essenciais para quem quer fazer do Constantino sobretudo um espaço de teatro. Com peças de companhias profissionais, mas também com teatro amador e até com a abertura de portas antes das estreias, para que as pessoas possam assistir aos ensaios.
Até que ponto é que isto significará uma taxa de ocupação que justifique o investimento é o que se está para ver. Como só mais daqui a uns meses poderemos perceber se consegue ou não chamar o público. Porque o risco de algumas apostas marginais, como as que Luísa Pinto assume, é que o público seja interessado, até militante, mas igualmente marginal. E definitivamente um teatro público não pode ser só para minorias

"Não posso pedir mais"

"Não posso pedir mais", disse Guilherme Pinto, na quarta-feira. O autarca fazia o balanço de três anos de mandato e referia-se à "generosidade" com que este Governo tem tratado o concelho de Matosinhos.
O que pelos vistos leva Guilherme a desistir de reivindicar mais investimentos é o facto do Piddac para 2009 ser "o maior que alguma vez existiu para Matosinhos", concretamente 58 milhões de euros.
É o tipo de afirmação que só pode convencer um desmiolado. Sobretudo quando se sabe que 51 desses milhões são para construir a Plataforma Logística de Leixões. Uma estrutura muito importante, é um facto, mas que se destina a servir o Norte e o País, não Matosinhos em concreto. Sejamos sérios, não é um investimento local.
Sendo que, mesmo descontados esses 51 milhões, sobram sete milhões. O que não é nada mau, face ao negro panorama de outros concelhos da Área Metropolitana do Porto. A Gaia por exemplo, e descontados os 11 milhões para o Metro, sobram pouco mais de dois milhões. E um concelho como a Maia tem inscritos apenas 400 mil euros. Resumindo, Guilherme até terá razões para se mostrar satisfeito. Não precisa de recorrer a propaganda distorcida.

O palpite do barbeiro


Se a sondagem que Aventino Silva faz todos os dias na Barbearia Invicta estiver certa, Narciso Miranda já venceu as eleições para a Câmara de Matosinhos. E, já agora, também Rui Rio, no que à Câmara do Porto diz respeito. Pelo menos é o que o próprio garante no jornal "Público" de ontem, numa reportagem a propósito da exposição "Barba e cabelo", que está patente no Palácio dos Viscondes de Balsemão, à Praça de Carlos Alberto, mesmo ali ao lado da "Invicta". Convém, no entanto, dar o devido desconto à previsão: são ambos clientes de Aventino e companhia, pelo que a margem de erro é capaz de ser maior do que o costume.
Eu dou-lhe, ainda assim, o benefício da dúvida. Quanto mais não seja porque também fui cliente durante muitos anos. Só deixei de ser quando me fartei de perder tempo no "76" em deslocações que tinham o único propósito de cortar o cabelo. E quando deixaram de me dar o rebuçado com que, em pequeno, os barbeiros da "Invicta" compravam o meu sossego.
Ao ler a reportagem, fiquei com saudades. Hei-de passar por lá, um destes dias, para aparar barba e cabelo. Mas só para fazer a romagem e para os cumprimentar pelos 40 anos de negócio. Não tenciono desistir do meu actual artista da tesoura, o Senhor Patrício, de Leça da Palmeira. Até porque se trata do homem que cortou o cabelo ao Eisenhower, quando o general que comandou os Aliados contra o Reich visitou Portugal, ainda antes de ser tornado presidente dos EUA.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Um negro na Casa Branca


O homem ganhou. E depois de um tipo como Bush, até a vitória de McCain seria uma benção. Mas é com Obama que o Mundo fica melhor servido. E não deixa de facto de ser extraordinário que seja um negro. Uma lição - mais uma - para a pretensa superioridade moral e civilizacional europeia. Recordo apenas a polémica que há dias abalou a Alemanha, apenas porque um descendente de imigrantes turcos conseguiu um cargo importante, já nem sei exactamente para fazer o quê. Sei que é um caucasiano. Já imaginaram o que seria se fosse negro e queniano? De facto, só nos EUA. Que tanta gente "odeia" apenas por preconceito.
Obama ganhou e fez um discurso que conseguiu ultrapassar a mera circustância. Falou sobretudo para os americanos, mas também deixou algumas pistas para o resto do Mundo. Aliás, e ainda que por breves momentos, falou especidicamente para o resto do Mundo. O que deixa perceber que estamos perante um homem pouco dado a unilateralismos e atento ao Mundo - a todo o Mundo - que o rodeia. Deixo aqui algumas das frases retiradas do discurso de vitória, que aliás podem ler na íntegra no site da CNN. Fica em inglês, que é como deve ser, sem traduções apressadas e manhosas como já li e ouvi por aí.

If there is anyone out there who still doubts that America is a place where all things are possible, who still wonders if the dream of our founders is alive in our time, who still questions the power of our democracy, tonight is your answer.
[Um país onde de facto tudo é possível. Há meio século, Martin Luther King ainda pedia direito de voto efectivo, sonhava com a igualdade entre os homens, mas provavelmente nem ele sonharia tão alto]

For even as we celebrate tonight, we know the challenges that tomorrow will bring are the greatest of our lifetime - two wars, a planet in peril, the worst financial crisis in a century.[Numa frase se sintetiza os trabalhos de Hércules que o esperam, mas também todo um programa: sair do Iraque de forma digna; encontrar uma saída para o atoleiro em que se transformou o Afeganistão e a guerra ao terrorismo; colocar-se solidariamente ao lado do resto do Mundo para resolver o problema do aquecimento global e do esgotamento de recursos naturais; mudar o paradigma económico, ou pelo menos colocar rédeas nos usurários que dominam os mercados financeiros]

This victory alone is not the change we seek. It is only the chance for us to make that change. And that cannot happen if we go back to the way things were.
[Pois, agora é que começa o mergulho na realidade. Vamos ver a força que terá para efectivamente cortar com o passado]

And to all those watching tonight from beyond our shores, from parliaments and palaces, to those who are huddled around radios in the forgotten corners of the world, our stories are singular, but our destiny is shared, and a new dawn of American leadership is at hand.
[Obama bem sabe as esperanças que meio Mundo deposita em si. Sobretudo os que estão no fim do Mundo, os miseráveis e deserdados de África, por exemplo. E também sabe que ao falar para eles está a assumir um compromisso. Se não fosse para cumprir, para quê dar-se ao trabalho de falar para eles? Há que ter crença na mudança que este homem promete. Às vezes é preciso atirar o cepticismo para trás das costas]

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Asha e Obama


1- Na Somália há caos, fome, senhores da guerra, tribunais islâmicos. Não há Governo, não há comida, não há justiça. Mas há telefones. E foi por telefone que Asha Dhuhulow explicou ao pai que ia morrer. Executada por lapidação. Tinha 14 anos.
Foi na semana passada que a curta história de vida de Asha se transformou numa história de morte. A família enviara-a para Norte e para longe do campo de refugiados onde nasceu, na esperança de lhe conseguir melhores cuidados médicos.
A viagem foi interrompida em Kismayo, cidade do Sul da Somália, entretanto tomada pelas milícias Al Shabab (A Juventude), organização terrorista com ligações à Al Quaeda. E o que deveria ter sido um julgamento de três homens pela brutal violação de uma menina, transformou-se numa farsa para condenar uma adúltera.
Como é hábito, a execução foi pública, tendo sido arrebanhada uma pequena multidão de deserdados e famintos para o estádio local. Alguns revoltaram-se contra o horror com que os confrontaram. Foram silenciados a rajadas de metralhadora. O ritual prosseguiu. Um camião trouxera atempadamente o carregamento de pedras. Cinquenta homens rodearam Asha, enterraram-na até ao pescoço, para a imobilizar, e cobriram-lhe a cabeça com um capuz. E assim a mataram. À pedrada.


2 - Se o Mundo pudesse votar, Barack Obama seria presidente dos Estados Unidos da América. Por uma dúzia de boas razões. Mas também por ser negro. E assim se demonstrar que é possível quebrar o preconceito racial e, associado a ele, um destino de pobreza e de falência.
Filho de um queniano, tem neste país [e no continente] de "origem" um apoio quase incondicional. Não será o novo messias, mas é visto como o homem que poderá assegurar um Mundo mais pacífico. Sobretudo, a paz para África. Os africanos sabem que só a paz trará a prosperidade de que desesperadamente necessitam. Para inverter o ciclo de pobreza e de violência endémicas.
Notícias desta semana davam conta da ameaça de fome que atinge vários países do chamado Corno de África - Quénia e Somália incluídos. 18 milhões de pessoas enfrentam aquela que se poderá tornar, nos próximos meses, segundo os relatos que chegam da zona, na pior tragédia humanitária da década.
Não é provável que o extraordinário carisma de Barack Obama seja suficiente para inverter a hipocrisia que habitualmente se move a política internacional. Mas é ainda assim razoável esperar que exporte, para fora dos EUA, a sua crença e a sua ambição de mudança. Já será tarde para Asha. Mas pode ser que seja a tempo de salvar milhões de africanos da fome, da tirania, do extremismo e da violência.


(*) Crónica originalmente publicada no JN de hoje

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

A melhor escola?


Melhor escola secundária de Matosinhos... Padrão da Légua.

Passo [por enquanto] ao lado de considerações sobre o valor, a importância ou a fiabilidade dos rankings que entretanto foram sendo publicados nos jornais. Há quem os considere um bom instrumento de trabalho, há quem os considere distorcidos. A verdade é que existem. E são o único indicador objectivo que permite ao cidadão comum fazer a sua própria leitura.
Usando o ranking publicado no JN esta semana, a melhor escola secundária de Matosinhos é, como se destaca, a do Padrão da Légua. Acrescento no entanto que surge apenas na 75ª posição a nível nacional. Nem seria um cenário muito mau, se não verificássemos que as restantes estão muito mais abaixo, pelo menos nos critérios seguidos pelo jornal.
Assim, e consideradas as classificações de exame nas oito disciplinas com o maior número de inscrições a nível nacional [Português B; Matemática A; Física e Química A; Biologia e Geologia; Geografia A; Economia A; História; Matemática Aplicada às Ciências Sociais], as escolas do nosso concelho ficam assim ordenadas [incluo, para melhor comparação, as melhores privadas e as melhores públicas do país e do Porto]:

1ª Academia de Música de Santa Cecília (Lisboa/Privada) - 16,11
4ª Colégio de Nossa Senhora do Rosário (Porto/Privada) - 14,78
19ª Escola Secundária Infanta D. Maria (Coimbra/Pública) - 13,65
34ª Escola Secundária Garcia de Orta (Porto/Pública) - 12,95

75ª Escola Secundária do Padrão da Légua (Sra. da Hora) - 11,98
126ª Escola Secundária Abel Salazar (S. Mamede) - 11,55
199ª Escola Secundária da Senhora da Hora - 11,11
246ª Escola Secundária Augusto Gomes (Matosinhos) - 10,86
272ª Escola Secundária da Boa Nova (Leça da Palmeira) - 10,77
354ª Escola Secundária Gonçalves Zarco (Matosinhos) - 10,42

Há no entanto distintas possibilidades para ordenar as escolas. Por exemplo, se tivermos em conta as mesmas disciplinas, mas agora olhando para as classificações internas de frequência, fica assim o ranking:

Nossa Senhora do Rosário - 16,16
Academia Santa Cecília - 15, 12
Infanta D. Maria 14,50
Garcia de Orta - 14,08

Augusto Gomes - 13,44
Abel Salazar - 13,11
Senhora da Hora - 13,01
Padrão da Légua - 12,99
Boa Nova - 12,72
Gonçalves Zarco - 12,66

Finalmente, se se considerar a classificação final das disciplinas, que resulta da nota final de exame (com um peso de 30%) e da nota final da disciplina (com um peso de 70%), o resultado é este:

Nossa Senhora do Rosário - 15,80
Academia Santa Cecília - 15,53
Infanta D. Maria - 14,32
Garcia de Orta - 13,80

Abel Salazar - 12,76
Padrão da Légua - 12,74
Augusto Gomes - 12,73
Senhora da Hora - 12,53
Boa Nova - 12,20
Gonçalves Zarco - 12,07

Seja qual for o critério preferido, há uma constatação preocupante: os resultados das secundárias de Matosinhos estão bastante longe da melhor secundária do país (Coimbra) e até da melhor secundária do distrito do Porto (Garcia de Orta).

Na Quinta só pagando bilhete


Primeiro era para pagar bilhete. Depois instalou-se a contestação. Afinal já não se iria pagar bilhete. O tempo passou e a tempestade amainou. E afinal é mesmo para pagar bilhete. De que falo? Da Quinta da Conceição e das contradições em que se embrulha, de vez em quando, o presidente da Câmara de Matosinhos.
Estão certamente recordados da celeuma causada pelo anúncio de que a concessão a privados da Quinta da Conceição, em Leça da Palmeira, previa a possibilidade de eventos nocturnos, com entrada paga. Um absurdo e um insulto, porque a Quinta da Conceição é um parque público, é um espaço de todos, pago por todos, e portanto território que devia estar a salvo de teorias capitalistas bacocas.
Como é evidente, esta possibilidade gerou um movimento que juntou gente de todos os partidos de Matosinhos e a Câmara não teve outra hipótese senão recuar na intenção inicial. E em Janeiro deste ano, Guilherme Pinto, apesar de manter a intenção de concessionar a quinta a uma empresa privada, garantiu que deixava cair a hipótese de a abrir a eventos nocturnos, bem como uma eventual cobrança de bilhetes.
Mas não há garantia disparatada que o tempo não cure... E o presidente da Câmara, a poucos dias da reabertura da renovada Quinta da Conceição, anuncia-nos a boa nova. A Quinta abrirá pontualmente durante a noite, caso haja algum evento. E o acesso nocturno poderá ser pago. Concluindo, um espaço que é de todos, pago com o dinheiro de todos, servirá para usufruto apenas de alguns. Mas aposto que nem o presidente, nem os vereadores, se lá forem aos tais eventos nocturnos, vão pagar bilhete.

Guilherme pede um milhão a Rio


Não sei se se lembram dos carris do eléctrico que a Câmara do Porto arrancou do viaduto do Parque da Cidade? Pois a STCP reclama agora 910 mil euros à autarquia, a título de indemnização. Porque foi esse o montante que investiu, argumenta, quando os colocou, em 2001. Sugiro à Câmara de Matosinhos que faça o mesmo. Que processe a Câmara do Porto e que lhe peça uma indemnização pelo investimento que se fez na colocação de carris na marginal e que agora não servem para nada. Mas vamos por partes.
Em 2001, e no âmbito das operações de requalificação urbana patrocinadas pelo Porto 2001/Capital Europeia da Cultura, foi decidido instalar, no novo viaduto sobre o Parque da Cidade, carris do eléctrico que permitissem garantir uma linha entre Matosinhos-Sul e o Castelo do Queijo, e daí pelas marginais marítima e fluvial do Porto até ao Centro Histórico.
No entanto, em Março de 2005, a Câmara do Porto decidiu que, mais importante do que recuperar o eléctrico, era avançar com o Circuito da Boavista. Como os bólides não convivem bem com carris e paralelos, arrancou tudo e assentou alcatrão. Pouco importava o dinheiro dos contribuintes que fora gasto apenas quatro anos antes.
A STCP, que comparticipou a obra, ficou a remoer. E reclama agora, com novo vigor, os 910 mil euros que a instalação dos carris lhe custou. Um direito legítimo, reconheça-se. Mas cheira a jogada político-partidária. Pelo menos a Rui Rio, que já contra-atacou. E é aqui que o assunto começa a mexer com Matosinhos. Então não é que, para além de Ana Paula Vitorino (secretária de Estado dos Transportes) e Ricardo Fonseca (presidente da Metro), também Fernanda Menezes, a presidente da STCP, esteve no jantar de campanha de Guilherme Pinto?
Espero que tenham aproveitado a oportunidade para delinear uma estratégia que defenda os interesses de Matosinhos. É que por aqui também se gastaram umas centenas de milhar de euros a instalar carris na marginal. Que agora não servem para nada. É verdade que quando estas coisas aconteceram não se ouviu um queixume do lado de cá [o presidente era ainda Narciso Miranda]. Mas mais vale tarde que nunca. Sugiro que na acção se peça um milhão de euros ao Porto. Que mais não seja para justificar o título do post.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Renovar a Circunvalção


Boas notícias para a Circunvalação. A estrada. O QREN [a sigla por detrás da qual se escondem os milhões que ainda vão chegando da Europa] deverá financiar a requalificação urbana desta "fronteira" entre o Porto e os municípios vizinhos. Objectivo central, transformá-la numa avenida urbana, com passeios, ciclovia, novo mobiliário urbano e duas faixas de circulação em cada sentido, mas mais estreitas.
De acordo com o JN, a requalificação está dividida em três troços. Sendo que o processo mais adiantado é o que diz respeito ao percurso Hospital de S. João/Rio Tinto. Esta obra será liderada pela Câmara da Maia e prevê, entre outras coisas, a demolição daquele mamarracho urbanístico que dá pelo nome de Viaduto da Areosa [feio mas útil], que poderá ser substituído por um túnel.
Os segundo e terceiro troços, em termos cronológicos, serão o que ficam entre a Praça Cidade S. Salvador e a Rotunda da AEP (a liderança do processo cabe à Câmara do Porto) e o troço Rio Tinto/Parque Nascente (lidera a Câmara de Gondomar). Do resto, e não é pouco, ainda não há notícia. Não sei se repararam, aliás, que das quatro câmaras unidas pela Circunvalação, a única que ainda não aparece a liderar nenhum dos processos é precisamente a de Matosinhos.
Presumo que poderá vir a liderar a requalificação do troço entre a Rotunda da AEP e o Hospital de S. João. Mas presumo apenas porque na verdade não há notícia. Recordo apenas que a nossa autarquia já deu conta, em tempos, da sua intenção de demolir o viaduto de acesso ao Norteshopping. Outro descalabro visual, mas útil. Não há remédio senão ficar à espera de mais notícias e acreditar que a candidatura aparecerá antes de 2013, altura em que a torneira comunitária se fecha.
A parte mais enigmática destas candidaturas é a previsão de instalação de carris ao longo da Circunvalação. Pergunto-me para quê? Não consta que a STCP esteja interessada em recuperar o eléctrico [com a excepção das voltinhas turísticas pela Baixa do Porto], muito menos que a nova avenida possa acolher o metro. Presumo, portanto que seja uma ideia para deixar cair. E espero que não sirva de pretexto para derrubar as frondosas árvores que a Circunvalação ainda tem.

5 hectares de asfalto


[O post que se segue corresponde a um contributo anónimo. Mas que podia muito bem não ser. É também uma forma de "premiar" comentários interessantes e um pouco mais profundos que forem surgindo no "Circunvalação". Só espero que haja razões para o fazer mais vezes. Já agora, recordo que já alertei para o mesmo problema no post Rodeo no Parque]


Sobre a questão de construir nas franjas do Parque da Cidade sempre tive a opinião de que não é desejável construir nas áreas reservadas a espaços verdes de lazer. Já se percebeu que o Parque da Cidade é cada vez mais a "sala de estar e de lazer" da cidade do Porto, e, em certas épocas do ano, do Grande Porto. É uma mais-valia para mais de um milhão de pessoas que não podemos permitir que seja esquartejada como se de um pedaço de carne se tratasse. Até aqui estamos, em princípio, quase todos de acordo.
Mas temos de ser igualmente críticos para a leviandade e gravidade do que se passa, hoje, no topo ocidental do Parque com as pistas de aterragem de aviões. Porque é que tantos se preocuparam com as construções nas franjas do Parque e quase ninguém fala desta monstruosidade de asfalto barulhento? Já alguém se deu ao trabalho de analisar seriamente o que o Presidente Rui Rio decidiu fazer com as dezenas de milhares de metros de Parque destinados ao "queimódromo" e à pista de aterragem de aviões? Já mediram o que está em causa? Com o rigor que o "Live Search Maps" permite, medi mais de 50.000m2 de tapete de asfalto!!! Meus senhores, mais de 5 hectares do Parque da Cidade estão alocados ao "queimódromo" e à pista de aterragem de aviões. Será honesto alguém falar de construções nas franjas do Parque, que ocupavam menos de 20% desta área, e esquecer as mais de cinco dezenas de milhares de metros quadrados de asfalto que sua excelência decidiu construir sem "dar cavaco às tropas"?
Em termos de equilíbrio urbano qual é a situação mais gravosa para as cidades do Porto e Matosinhos? Estou certo que será a actual, pois não trouxe benefício para quase ninguém. Eu sei que as construções que estiveram previstas apenas beneficiam alguns privados: os que lá conseguissem construir e os que lá que conseguissem comprar casa. Sobre isto não há quaisquer dúvidas. E os 50.000m2 de asfalto beneficiam quem? São de uso público? Essa é que era boa. Nem com "crachat" lá entro!
Em resumo: quando se falar da asneira de construir no Parque da Cidade, fale-se também com o mesmo tom da asneira do "asfaltamento" de 50.000m2 que lá estão. Só assim a conversa tem sentido.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Que candidato para o PSD?


Quando uma das questões do momento é saber quem poderá vir a ser o candidato do PSD à Câmara Municipal de Matosinhos [mais importante ainda é saber o que nos vão propor todos os candidatos, mas isso não é para já], nada como uma sondagem caseira para avaliar preferências. Agostinho Branquinho tem sido um dos nomes mais falados, até por ser a preferência da líder concelhia. Marco António Costa é sempre notícia, mais que não seja porque está sempre a dizer que não. Pedro Vinha Costa já tentou ganhar raízes político-partidárias por aqui e é um quadro qualificado. Artur Osório é uma figura conhecida [foi durante muitos anos o "chefe" do Hospital] e é sempre um recurso qualificado a ter em conta. Couto dos Santos tem experiência governativa e é um nome que às vezes é sugerido. Rui Moreira, sendo um independente, e portanto mais difícil de "filiar", é sempre uma possibilidade, quanto mais não seja porque é outro nome volta e meia atirado para a discussão. E ainda acrescento Santana Lopes, que está sempre disponível, e para o caso de Manuela o querer ver bem longe. Fica o repto. Se quiserem votem, se quiserem comentem, se não quiserem também não faz mal.

Noite de gala


Também estive no sábado à noite no Estádio do Dragão. E este será um jogo para ficar na memória durante muitos anos. Porque o Leixões é um pequeno clube que foi vencer em casa de um grande clube. Porque durante o jogo os nossos jogadores protagonizaram um espectáculo magnífico. Porque estivemos a ganhar por um, por dois, para depois sofrer um, sofrer dois, para depois voltar para a frente, mas sermos roubados, para voltarmos a marcar outra vez, desta vez a contar. Outra vez por Braga, com um remate de pé esquerdo que foi um hino ao futebol. E depois o espectáculo dos leixoneneses. Aquelas cerca de duas mil pessoas que encheram a curva do topo Norte e que mostraram, mais uma vez, que os adeptos do Leixões podem não ser os mais numerosos, mas são seguramente os mais apaixonados. Estamos em primeiros e talvez assim continuemos pelo menos mais uma semana. Mas mesmo que não aconteça, a vitória no Dragão já ninguém a tira.