sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Roça Rio do Ouro






“A Roça Rio do Ouro, com trinta quilómetros de perímetro, era a maior e a mais impressionante das roças que vira até aí (…) duzentas e trinta mil arrobas de cacau por ano, facturando sozinha a astronómica quantia de 1200 contos ao ano, que o seu dono, o conde de Valle Flôr, se encarregava de gastar em Lisboa ou Paris” (…) Um exército de formigas labutava no meio da plantação (…) limpavam, capinavam, abriam covas, colhiam e juntavam o cacau que outros recolhiam em cestos às costas, transportando-os até à linha férrea, que parecia quase de um comboio em miniatura”.



A Rio do Ouro ainda existe, agora com o nome de Agostinho Neto. Mas a “idade do cacau” - que fez de S. Tomé e Príncipe o maior exportador do mundo, na viragem do século XIX para o século XX – já terminou. Com a independência, esta e todas as roças que pertenceram aos colonos portugueses foram nacionalizadas. E com a opção política sobreveio a ruína. O terreiro da Roça Rio do Ouro que se descreve no “Equador” continua a ser um local impressionante, mas a produção de cacau já não existe. O “exército de formigas” foi substituído por bandos de crianças que cercam os visitantes pedindo doces. As dezenas de edifícios do complexo foram ocupadas pela população, enquanto as terras por onde antes se espalhavam milhares de cacaueiros foram ocupadas pela floresta equatorial.

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