sábado, 31 de janeiro de 2009

O independente


"Vou ser candidato a presidente da Câmara
de Matosinhos como independente"


Esta já tem que ver que Matosinhos, como expressamente se nota. E também é uma das frases da semana. Neste caso porque não surpreende ninguém. O que surpreende, de facto, é que Narciso Miranda sinta necessidade de a repetir tantas vezes. Qualquer dia somos levados a pensar que, mais do que convencer o eleitorado, se está a tentar convencer a si próprio.
No caso a frase foi dita e publicada no JN na sequência de mais uma afirmação em sentido contrário de Guilherme Pinto. O actual dono da cadeira da Casa Amarela não acredita, por sua vez, que avance a anunciada candidatura independente do seu antecessor. E disse-o também pela enésima vez.
Diria que parecem os dois Marretas daquele programa que tinha o sapo Cocas como estrela da companhia. Sugiro aos dois que se encontrem para tomar um café e se convençam mutuamente. Sempre poupam os jornais e os seus leitores de estarem sempre a ouvir e a ler as mesma coisas.

O tio


"Não apoio presidentes de clubes de futebol,
apoio presidentes de Câmara"


É uma das frases da semana. E representa toda uma estratégia empresarial. Estejam tranquilos, não tem nada que ver com Matosinhos. Que se saiba.
Segundo a Visão, é uma máxima de Júlio Monteiro, o agora célebre tio de José Sócrates. E foi disparada quando lhe propuseram apoiar uma candidatura ao Vitória de Setúbal.
Tendo em conta o ramo de negócio - que dá pelo nebuloso conceito de "imobiliário" associado a "off-shores" - a que o senhor se dedica, percebe-se a opção. Contribui é pouco para o bom nome dos autarcas deste país.
E ainda fala o nosso primeiro-ministro em campanha negra. Se for, bem pode agradecer ao tio, um dos principais fornecedores do anedotário em que se vai transformando esta história do Freeport.
Imagino que um dos presidentes de Câmara que o tio Júlio apoiou tenha sido o "ex" de Alcochete. Um apoio assim ao género de conselheiro, evidentemente. Tipo garantir que se fosse encontrando com as pessoas e com os negócios imobiliários certos. Daqueles que representam muitos milhões de investimento e retorno garantido...

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

A lebre


É já amanhã que Pedro Duarte substitui Agostinho Branquinho na vice-presidência da bancada parlamentar do PSD na Assembleia da República. Dirão alguns que é mais um sinal de que poderá ser o candidato social-democrata à Câmara de Municipal de Matosinhos. Mas isso seria se não se soubesse que a justificação é outra: Branquinho sai da liderança da bancada por outros motivos. Vai ser o operacional do PSD para as próximas três eleições. Leram bem, para as três. E por muita capacidade de trabalho que o homem tenha, não estou a ver como é que isso daria para uma campanha local que terá de ser muito dura e muito trabalhosa.

Resumindo, Agostinho Branquinho nunca disse que sim, mas também nunca disse que não. E até vai aparecendo, de vez em quando, numas iniciativas do PSD de Matosinhos. Usando aqui metáfora desportiva, a mim cada vez mais me parece que o também ex-presidente da Distrital do PSD está a fazer o papel de lebre. Não sei se estão a ver, aquele tipo de corredor que vai na frente do pelotão, desgastando os adversários, para desistir a duas ou três voltas do fim. E é então que se percebe quem é o colega que até aí se escondia, pronto para a recta final...

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

A crise


1.Borgstena, Nelas: 108 pessoas; Bordalo Pinheiro, Caldas da Rainha: 150 pessoas; FEHST, Braga: 170 pessoas; Unidade de Saúde de Coimbra: 100 pessoas; Intipor, Amares: 150 pessoas; Philips, Ovar: 70 pessoas; Camac, Santo Tirso: 290 pessoas; Subercor e Vinicor, Santa Maria da Feira: 150 pessoas; Diehl, Vila do Conde: 60 pessoas; Ecco, Santa Maria da Feira: 180 pessoas; Citroën, Mangualde: 400 pessoas; Qimonda, Vila do Conde: 1700 pessoas.
A lista é extensa, mas não é exaustiva. Resulta da leitura apressada das páginas de um só jornal, durante a última semana. Associadas a esta lista negra aparecem notícias sobre despedimentos colectivos, falências, salários em atraso. Um caldo que culmina quase sempre em desemprego. Uma dúzia de casos, apenas os que conseguem cobertura mediática. Muitos ficam por relatar, sobretudo no universo das pequenas e médias empresas. E mesmo assim, sabendo-se que são contas por defeito, são mais de 3500 pessoas que já perderam ou estão a caminho de perder o seu emprego. Em apenas uma semana. O ano tem 52. É só fazer as contas. E perceber que o pessimismo de Teixeira dos Santos, quando aponta para 45 mil novos desempregados em 2009, revela, afinal, um perigoso excesso de optimismo.

2. As contradições do tempo que vivemos são surpreendentes. Num dia, ouvimos dizer que, se conseguirmos manter o emprego, vamos ter mais dinheiro no bolso graças à descida das taxas de juro e da inflação. No outro, dão-nos conta de mais uma subida no número de desempregados e portanto do número de pessoas que ficam sem dinheiro no bolso. Num dia, explicam-nos que é preciso estimular o consumo para vencermos a crise. No outro, ficamos a saber que são cada vez mais os que já não são capazes de pagar as dívidas contraídas para consumir.
Os tempos são desesperados, mas o pior é que não se vislumbra lucidez. De todo o lado surgem apelos para que se aumente o consumo. Chega-se ao ponto de ouvir reputados economistas explicar que esse apelo se deve dirigir sobretudo às classes média e média-baixa, precisamente porque são os mais vulneráveis às campanhas. Resumindo, quando o discurso deveria ser de austeridade e poupança, é afinal feito de apelos à irresponsabilidade. Em vez de poupar para garantir o amanhã, gastar como se não houvesse amanhã.

3. Berardo já nem deveria merecer uma nota de rodapé. É apenas mais um especulador que assistiu ao estilhaçar da sua pseudo-fortuna nesse mundo de ficção que é a bolsa. Acontece que se ficou agora a saber que há bancos dispostos a prolongar a ficção do comendador. E que entre eles está a CGD, um banco público. Quando era retratado como uma figura quase messiânica, Berardo conseguiu que a banca lhe emprestasse 1000 milhões de euros para comprar acções do BCP. Como garantia apresentou as acções que comprou. Só que, com o fim da ficção, as acções já só valem 190 milhões. Revelando com Berardo uma generosidade que não tem perante o cidadão sem capacidade para pagar o empréstimo da casa, a banca prolongou o prazo do empréstimo e congelou o pagamento de juros por mais quatro ou cinco anos. Esperando que nesse intervalo as bolsas recuperem. Há gente que não aprende nada. E que não tem vergonha.
(*) Crónica originalmente publicada no JN desta segunda-feira

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Procura-se


Procura-se candidato credível do PSD para a Câmara de Matosinhos. Será que desta vez o boato se confirma? Dizem que tantas vezes vai o cântaro à fonte...

O menino Nelinho


Já vi escrito noutros blogues cá do burgo e partilho. Isto anda uma pasmaceira (provável). Ou somos nós que já não temos paciência para os jogos florais de sempre (certeza). O que ajuda a explicar a desinspiração das últimas semanas.

O que vale é que temos sempre os veículos de propaganda oficial para nos entusiasmar. Abre-se a página oficial da Câmara Municipal de Matosinhos, http://www.cm-matosinhos.pt/, procurando alguma actividade e não se fica desiludido. Na página de abertura apanha-se, ainda e sempre, com a mesma mensagem de boas vindas do presidente da Câmara, emoldurada com a bela e narcísica fotografia. E depois leva-se ainda com outra do mesmo personagem, mas a propósito de bandeiras azuis, tema muito mobilizador quando cai granizo. E finalmente explicam-nos que uns senhores velhinhos foram cantar as janeiras, de novo ao mesmo personagem, Para se chegar ao fundo da página e saber que as criancinhas - e foram mil, não façam confusão - também sabem cantar as janeiras. Só não percebo é quem convidou o menino Nelinho para se juntar ao rancho.

Pergunta: eu sei que não é caso único e que faz parte da nossa escola política, mas porque é que a minha terra está cada vez mais parecida com o Marco de Canaveses de Avelino ou a Venezuela de Chávez, pelo menos no que à propaganda e culto de personalidade diz respeito?

Sugestão: visitem a página oficial de Barcelona, http://www.bcn.cat/castella/ehome.htm, para perceberem a diferença entre a o caciquismo e a governação (e ainda conseguem ler declarações do Manoel de Oliveira, que são mais interessantes do que o que se lê por cá).

Lebre por gato


E pronto, lá se vai o nosso ganha-pontos. Wesley troca o Leixões pelo Vaslui. Que é como quem diz que troca o quarto classificado do pelintra campeonato português pelo nono classificado do milionário campeonato romeno. Um negócio por cifras fabulosas nos dias de crédito malparado que correm: 250 mil euros. Caso para dizer, invertendo o lugar comum, que se está a vender uma lebre ao preço de gato.

Mais uma demonstração da excelência de gestão desportiva do nosso presidente Carlos Oliveira? Nada disso, apenas a constatação do óbvio: não há dinheiro para mandar cantar um cego, quanto mais para pagar salários. Nem ao Wesley, nem aos outros. Se os romenos oferecessem apenas 100 mil, iria mesmo assim. Mas também não vale a pena bater no ceguinho. Como me dizia um entendido destas coisas do mundo da bola, antes no Leixões com dois ou três meses de ordenado, do que noutras equipas, igualmente de primeira, onde nunca é certo que se receba o merecido ordenado.

250 mil euros é pouco comparado com os 20 milhões que um petro-milionário qualquer vai pagar pelo Miguel Veloso no dia de são nunca à tarde? Ao menos os 250 já estão a caminhos do lado de cá, ainda que apenas na forma de garantias bancárias (e todos nós sabemos que os bancos agora não são garantia de nada). E com isso se pagará a jorna ao Bruno China, ao Braga e ao Elvis. O homem dos semáforos não será tão bom como o pinta, sempre que pode, o meu amigo Eugénio, mas ao menos tenta pagar o que é devido a quem de direito. Nos dias de trafulhice geral em que vivemos, não é coisa pouca.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

O gueto de Gaza


"Matar crianças não é um crime de guerra?" A pergunta de um dirigente da agência para os refugiados das Nações Unidas, depois de mais um bombardeamento a uma escola, não tinha destinatário. Mas exige resposta, mesmo agora que, aparentemente, chega ao fim a carnificina protagonizada pelas tropas israelitas na Faixa de Gaza. Uma acção punitiva e desproporcionada que se prolongou por 22 dias e no qual morreram 1200 palestinianos. Sendo que cerca de 400 são crianças.
Intoxicada pela máquina de propaganda do Estado, tão perversa quanto eficaz, a população israelita não está interessada em responder. Mesmo os que ainda não foram conquistados pelo discurso do ódio dos extremistas religiosos judaicos não farão mais do que encolher os ombros. Compete por isso a outros promover que se apure quem e que crimes se cometeram.
E compete em primeiro lugar à Europa, e portanto a Portugal. Não chega proibir aeronaves carregadas com material bélico de passarem pelos nossos céus. É preciso um pouco mais de coragem. Porque a vida de uma criança palestiniana vale tanto como a de uma criança portuguesa. Haverá alguma razão, para além da recorrente hipocrisia diplomática, para que não avance um tribunal que julgue os criminosos desta guerra, sejam eles israelitas ou palestinianos, sejam militantes do Kadima ou do Hamas?
Não se confunda, aliás, a necessidade de castigar criminosos de guerra com simpatia ou protecção por organizações terroristas. O Hamas tem nas suas fileiras gente com igual falta de respeito pela vida de crianças. É até possível que, como argumentava Israel, tenham usado homens, mulheres e crianças como escudos humanos. Acontece que isso não legitima um Estado democrático e supostamente civilizado a agir com a bestialidade que se testemunhou neste sangrento início de ano.
Ainda menos quando esse Estado é formado pelos descendentes das vítimas dos campos de concentração nazis. A nenhum deles terá ocorrido que há pelo menos algumas semelhanças entre as condições a que foram submetidos os habitantes do gueto de Varsóvia e a miséria que grassa no gueto de Gaza? Entre o massacre a que foram submetidos os judeus polacos e o bombardeamento que se abateu sobre os muçulmanos palestinianos?
Agora que os canhões se vão calando, começam os encontros para a reconstrução. Ontem, diplomatas europeus reuniram-se no Egipto. É verdade que os habitantes da Faixa de Gaza precisam desesperadamente de meios para garantir a sua sobrevivência. Mas não se pode limpar a consciência apenas com dinheiro, como até aqui. É preciso pão mas também justiça. Só assim se conquistará uma paz duradoura. Só assim terminará esta intolerável contagem do número de crianças que vão morrendo. Seja pelas mãos de um extremista islâmico que se faz explodir numa paragem de autocarro, seja por um fanático sionista que ordena um ataque aéreo com bombas de fósforo a uma escola.
(*) Crónica originalmente publicada no JN desta segunda-feira

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Calendário eleitoral

Uma, duas, três eleições. A primeira (europeias) em Junho, a segunda (legislativas) em Setembro, a terceira (autárquicas) em Outubro. Uma, duas, três campanhas, longos meses de muita propaganda, demagogia, populismo, inaugurações e, com um pouco de sorte, pequenas doses de debate político sério para disfarçar. É o cenário pouco reconfortante que se apresenta aos portugueses em 2009. Isto porque, sejamos claros, já se percebeu que o entendimento para juntar duas ou mesmo as três eleições na mesma data está condenado. Se for o PS a propô-lo, o PSD não aceitará, por causa dos interesses ocultos do adversário. Se o PSD manifestar interesse, o PS rejeitará, porque nunca se sabe que vantagens eleitorais pretende retirar a outra parte.
Por via das dúvidas e das especulações que já se acumulavam, Cavaco Silva veio pôr os pontos nos ii. "A agenda da classe política deve estar centrada no combate à crise que afecta o país". Embora seja curioso que o argumento central do presidente da República para evitar o assunto possa ser a melhor justificação para fazer exactamente o contrário. Porque o efeito mais perverso de três campanhas eleitorais consecutivas será precisamente o de desviar a agenda da classe política do combate à crise para o combate pelo voto do eleitor.
Diz-nos José Pedro Aguiar Branco, vice-presidente do PSD, que não haverá um único português preocupado com a sequência do calendário eleitoral. Descontando o facto de Aguiar Branco se ter dado ao trabalho de comentar um assunto que não interessa a ninguém, é precisamente na despreocupação dos portugueses que reside o perigo. Quando se começarem a preocupar com o calendário eleitoral será tarde demais. Provavelmente só se darão conta do erro quando já estiverem fartos de ouvir Aguiar Branco, ou outro dirigente partidário qualquer, em campanha e a falar de assuntos que não interessam a nenhum português.
P.S.: O Governo prepara-se para aprovar um regime de excepção para o Código dos Contratos Públicos. Assim, as obras públicas até cinco milhões de euros poderão ser entregues, quer pelos organismos do Estado quer pelas autarquias, por ajuste directo, sem concurso público, ao construtor civil que se quiser. O argumento é o de que é preciso estimular o investimento público e combater a crise. O autor da proposta nunca deve ter ouvido dizer que depressa e bem, há pouco quem. Na prática, o que vai fazer é multiplicar a discricionariedade, que já era muita, e diminuir a transparência, que já era pouca. Um país com um clima de desconfiança permanente a propósito da relação demasiado estreita entre construtores e autarcas não precisava de mais esta acha na fogueira das suspeitas de corrupção. Muito menos em ano de eleições.
(*) Artigo originalmente publicado no JN desta segunda-feira

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Alguém falou em corrupção?

Faltam poucos dias para que o Governo socialista permita, sem remorsos, que uma qualquer Fátima Felgueiras entregue a um empreiteiro amigo uma obra de cinco milhões de euros. Sem concurso. Por ajuste directo. Porque quando o que está em causa é incentivar a economia vale tudo, incluindo arrancar olhos.
Um delírio blogosférico? Quem dera. Na verdade é o que nosso socrático governo se prepara para legislar, com a mudança prometida no Código dos Contratos Públicos. Com a sua vontade de facilitar o investimento público, permitirá a qualquer autarquia deste país avançar com obras até ao valor de cinco milhões de euros (um milhão de contos!) sem se dar ao trabalho de disfarçar que existe alguma transparência.
Isaltino Morais, por exemplo, já pode escolher quem lhe aprouver para construir mais uns quilómetros de monocarril, sobretudo da linha que liga Oeiras a Zurique. Mas só se renunciar a co-financiamento de Bruxelas, porque os palermas dos eurocratas parece que continuam a fazer fica-pé na exigência de saber com que critérios gastamos o dinheiro dos alemães.
Para além do incentivo à economia, pelo menos à chamada economia paralela, este é o estímulo que faltava para conseguir atrair para a política autárquica aquilo a que se costuma chamar de quadros qualificados. Para quê uma lugar numa administração de um banco, sujeito aos humores de uma CMVM ou de um Banco de Portugal, perdendo tempo com intrincadas operações como a criação de contas off-shore nas Ilhas Caimão?

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Sondagens de Natal

Estas tenho de as vender ao preço que as comprei. Baratas. Foram apanhadas a correr, com notas tomadas num guardanapo de papel e com uma lapiseira daquelas fininhas, que era o que estava mais à mão quando a informação me chegou. Como não as li [ao contrário de outras] é só para quem quiser acreditar. Mas já estou como os espanhóis... que las hay, las hay...
E então é assim: no último mês, ao que me constou, houve pelo menos duas sondagens sobre as próximas eleições para a Câmara Municipal de Matosinhos. Ambas dão a vitória ao candidato independente Narciso Miranda, sempre com valores na casa dos 40% a 45%. Ambas incluem Guilherme Pinto como candidato do PS, Agostinho Branquinho como candidato do PSD (virá a sê-lo?) e Honório Novo como candidato da CDU (outra dúvida por esclarecer). Nenhuma das sondagens foi encomendada pelo PS. E já agora, muito menos pelo PCP ou pelo Bloco. Quem de cinco tira três...
Passando ao que verdadeiramente interessa. Numa delas, Narciso Miranda anda entre os cinco e os seis mandatos (este último número representaria maioria absoluta numa Vereação de 11, como é o caso de Matosinhos), o PSD teria dois e ficaria à frente do PS, também com dois vereadores eleitos. A dúvida é se a CDU elege um ou nenhum, caso em que o "Barroselas" chegaria ao poder absoluto.
Na outra, Narciso volta a aparecer com cinco ou seis eleitos para o Executivo, sendo que o PSD, com Branquinho, arrecadaria três vereadores, e o PS, com Guilherme Pinto, dois ou três. Ou seja, uma eventual maioria absoluta do "Senhor de Matosinhos" ficaria nas mãos dos "irmãos" socialistas e já não dos "primos" comunistas.
Quem se der ao trabalho de aqui vir ler (e por estes dias devem ser poucos, tendo em conta o período sabático que este blog atravessou, por razões equatoriais e festivas) pode desconfiar à vontade. Se isso aconteceu quando expliquei, preto no branco, em casos anteriores, que tive a papelada na mão, que fará agora, que reconheço que foi só de ouvir dizer... Sobretudo entre leitores mais enturmados com o actual poder socialista...
Mas ainda assim, permito-me algumas conclusões, até porque tenho poucas dúvidas quanto à veracidade da informação (já quanto ao resultado final é outra loiça, porque haverá sempre ajustamentos ditados pelo ano de campanha que vamos enfrentar): e a mais evidente é que parece começar a ser evidente que o PS vai ter de se despedir de uma das suas mais emblemáticas autarquias a nível nacional. Começa a ser difícil acreditar que a tendência se inverta, depois de tantas vezes as sondagens (inclusive as do PS), apontarem para a catástrofe. Até porque as distâncias começam a ser muito grandes e o tempo cada vez mais escasso.
Outra das conclusões possíveis é que o PSD não parece interessado por aí além em aproveitar a divisão entre "narcisistas" e outra coisa qualquer com que queiram definir o actual PS de Matosinhos. Agostinho Branquinho, a confirmar-se o nome, virá dar a sua luta, mas partirá sempre com a sensação que o dever estará cumprido, mesmo sem uma vitória. A CDU terá ou não vereador se tiver ou não Honório (e mesmo assim não é certo), e quanto ao Bloco não parece com alma para lá chegar. Nem alma, nem personagem.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Vê lá tu estes malucos...


1- "Vê lá tu o que estes malucos fizeram - apontaram-me uma pistola e não me deixaram acabar o que estava a fazer", terá dito a professora para a presidente do Conselho Executivo. "Ó professora, desculpe, sabe que somos uns brincalhões", terão retorquido os alunos. Feito assim o relato do que acontecera na sala de aula, tendo em conta que os alunos são "normais e simpáticos" e que a própria professora "é muito brincalhona", o caso foi "arquivado". Afinal fora "uma brincadeira que toda a gente faz".
O que deu origem a estas explicações foi a divulgação de um vídeo em que um grupo de alunos da Escola Secundária do Cerco do Porto aponta uma arma de plástico a uma professora, exigindo melhores notas. Mexem-lhe nos cabelos e ensaiam poses de pugilista, cerrando os punhos. A professora ameaça marcar faltas disciplinares a todos, mas a "brincadeira" não acaba. A cena termina com a professora, impotente, abandonando a sala de aula.
O vídeo é um documento poderoso sobre o descontrolo a que chegaram algumas salas de aula. Mas são as explicações que se seguiram que fazem soar o alarme. Fica a sensação de que não existe capacidade, nem vontade, de combater a indisciplina. O vídeo põe a nu o pouco respeito que os alunos demonstram pelos professores. A forma como estes decidiram ignorar o que se passou põe a nu o pouco respeito que têm por si próprios e pela nobre e difícil missão de ensinar e educar. Para além de um inquérito ao que se passou na sala de aula é preciso um outro inquérito ao que se passou a seguir. Já não com o objectivo de punir, mas com o objectivo de identificar procedimentos errados e alterá-los.

2 - O presidente da Câmara Municipal do Porto já tem uma "solução" para a construção das frentes urbanas no Parque da Cidade. Não tendo sido possível evitar que avance a chamada frente urbana da Boavista, Rui Rio decretou que essa construção... já não é no Parque da Cidade. Aliás, no dia em que tornou público o acordo sobre o Parque da Cidade, e provavelmente fiel a esse novo princípio, "esqueceu-se" de fazer referência às seis moradias e ao prédio de três andares que a Câmara terá de licenciar. Chama-se a isto tentativa de tapar o sol com a peneira.
Evoluções semânticas à parte, o acordo entre a autarquia e as empresas proprietárias de terrenos no Parque da Cidade terá ainda um incerto caminho para percorrer. Porque uma das suas peças principais, a entrega de propriedades municipais, terá de ser trocada, em tempo útil, por 43 milhões de euros. Tendo em conta a época de crise que atravessamos, nomeadamente no sector imobiliário, há uma probabilidade grande de não se concretizar. O que faria voltar tudo à estaca zero. Incluindo a frente urbana da Boavista... no Parque da Cidade.
(*) Crónica originalmente publicada no JN de 29 de Dezembro de 2008