segunda-feira, 23 de março de 2009

Espanto

Como acredito que nos devemos chatear com pequenas coisas, antes que elas se tornem um hábito e se transformem em grandes e graves coisas, deixo-vos com a mais recente mensagem enviada a uma escola deste concelho. Que assim se transforma, digamos, numa espécie de carta aberta.
Sr. Presidente do Conselho Executivo
da E.B. 2,3 Leça da Palmeira,

caro professor Jorge Sequeira,

Esta é uma mensagem para reclamar mas, mais do que isso, é uma mensagem de espanto. Espanto por perceber que a Escola Básica 2,3 de Leça da Palmeira não é uma escola para todos [Ou, pelo menos, para ser menos antipático, é uma escola que alguns fazem com que não seja sempre para todos].
Pensava eu, na minha ingenuidade formal [e apenas nessa], que a Escola Pública não discriminava ninguém, nem ciganos, nem pretos, nem deficientes, nem gordos, nem magros, nem caixa de óculos, nem pernas de pau. Enganei-me. Pelos vistos, às vezes discrimina. Pelo menos nas competições que organiza.
Não, não estou a falar do concurso de “tangram” promovido, hoje mesmo, no Espaço de Matemática da Escola. Entre os professores de matemática da E.B. 2,3 de Leça da Palmeira não deverá passar pela cabeça organizar iniciativas em que não seja possível que todos possam participar. O que é tranquilizador, sobretudo numa área do conhecimento absolutamente fundamental como a matemática.
Isto a julgar por um dos alunos, que nem por acaso é meu filho. E que hoje lá está, com todos os coleguinhas que quiseram aprender brincando. Sendo que a classificação do concurso, que desconheço na altura em que escrevo, é aqui o que menos interessa. A mim, a ele e à escola.
Não sendo então a propósito do concurso de “tangram” que me espanto, sobra o outro, o de competições desportivas por equipas. Que no caso do 5º ano, que é do que estou a falar com conhecimento de causa, pelos vistos não aceita a participação de todos.
Tanto quanto percebi perceber participa quem os professores escolhem e ainda alguns escolhidos pelos próprios colegas antes “seleccionados” pelos professores. A estupidez do método, só por si, daria pano para mangas. Se não fosse à partida irrelevante.
Porque o problema fundamental é que não pode haver método de selecção. Não cabe à escola seleccionar os melhores desportistas. Cabe à escola formar todos os seus alunos, na matemática, como no desporto. É uma questão de igualdade de oportunidades, que imagino que algumas cabeças poeirentas não consigam compreender.
A selecção faz-se através da avaliação. Mas sem excluir, entenda-se. Se para a escola é assim tão importante saber quem são os melhores futebolistas do 5º ano, sugiro uma abordagem mais democrática e universal. Que se faça o mesmíssimo torneio, mas com a participação de todos os que o queiram fazer. Seja para os bons de bola, seja para os ciganos, os pretos, os deficientes, os gordos, os magros, os caixas de óculos e os pernas de pau. Isso daria mais do que uma equipa por turma? Excelente, façam-se duas ou três equipas por turma. E o evoluir do torneio trataria de fazer a selecção. Sem dramas. Porque todos poderiam participar.
Professor Jorge Sequeira, mesmo imaginando que lhe seja difícil subverter as regras quando o campeonato já está lançado, sugiro-lhe mesmo assim que tente explicar a quem de direito o que é a Escola Pública e como deve funcionar. E se já não for capaz de travar esta inqualificável iniciativa, peço-lhe que tome medidas no sentido de que não se volte a repetir.
Uma nota final apenas para acrescentar que, sendo esta mensagem dirigida a si, a entendo eu como uma mensagem dirigida a toda a comunidade escolar. Pelo que a poderá reencaminhar para quem entender. Eu farei, aliás, exactamente isso, começando pela Associação de Pais da E.B. 2,3 de Leça da Palmeira.

Matosinhos, 23 de Março de 2009
Rafael João Alves Tavares Barbosa

4 comentários:

Zé da Póvoa disse...

O professor Jorge Sequeira, porventura mais preocupado em entregar ovos aos alunos para que eles possam fazer "boas" recepções, não curou de saber que na sua turma havia o filho de um jornalista. É que os alunos devem ser todos iguais: pretos, brancos, caixas de óculos, pernas de pau, etc. mas filho de jornalista ? Cuidado; esse tem que ter trato especial, atendimento personalizado e tudo o mais a que o filho de jornalista tem direito!

Rafael Barbosa disse...

Alguns comentários nem precisam de comentário, tal é a sua vulgaridade. Mas nem sempre se deve atirá-los directamente para o caixote. Às vezes é preciso mostrar o lixo para nos lembrarmos que ele existe.

Anónimo disse...

Boa Rafael...que fazer a esse Lixo?

Igualdade...

ana disse...

Só uma pessoa que não sabe o que são crianças é que pode fazer um comentário destes. Ainda por cima, diga-me lá o que é a igualdade???

Era assim que tratava os seus colegas, coxos, pernas de pau....